Mediação do Egito não consegue pôr fim a divergências entre palestinos

Susana Samhan. Cairo, 18 dez (EFE).- Prazos descumpridos, viagens, encontros, desencontros e acusações cruzadas foram a tônica habitual em 2009 no Egito, principal mediador entre as diversas facções palestinas que seguem mais divididas que nunca.

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As diferenças persistem insolúveis entre os dois grupos principais, o islamita Hamas, que controla a Faixa de Gaza, e o nacionalista Fatah, que governa na Cisjordânia, cuja disputa aumentou em junho de 2007.

Em 2009, o Cairo serviu de palco para uma intensa movimentação diplomática, com inumeráveis rodadas de negociações que resultaram praticamente nulas, já que no momento em que era anunciada a possibilidade de um acordo, uma das facções mostrava suas reservas ao pacto.

Além dos esforços para aproximar os palestinos, o Egito trabalhou ainda como mediador em uma troca de prisioneiros entre Hamas e Israel, com vistas à libertação do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por milícias palestinas em junho de 2006 na fronteira com Gaza.

O ano começou quente com a ofensiva israelense sobre esse território palestino, que deixou cerca de 1.400 palestinos mortos, entre 27 de dezembro de 2008 e 18 de janeiro de 2009.

Rapidamente, o Governo egípcio colocou à disposição sua maquinaria diplomática para mediar entre Israel e Hamas a fim de deter o conflito, mas o fim das operações foi decidido pelo Estado judeu de maneira unilateral.

Após a crise de Gaza, todos os esforços se voltaram para a organização de uma conferência de doadores para a reconstrução da Faixa, mas logo surgiu a dúvida de quem receberia o dinheiro, o que fez com que o Egito pressionasse para a retomada do diálogo interpalestino.

Assim, em 26 de fevereiro, véspera da conferência, os dirigentes de várias facções palestinas anunciavam com estardalhaço no Cairo o fim de suas diferenças e seu compromisso de criar um Governo de união nacional.

No entanto, o clima de união durou pouco, já que após o começo das reuniões, em 10 de março, na capital egípcia, as negociações praticamente acabaram em razão das diferenças entre Fatah e Hamas, que se centraram no reconhecimento do Estado de Israel.

Dessa vez foi o reconhecimento de Israel que atrapalhou o diálogo, mas em abril foi a necessidade de efetuar consultas e, em maio, os enfrentamentos entre membros do Hamas e da Autoridade Nacional Palestina (ANP) na localidade cisjordaniana de Kalkilia.

O conflito continuou em junho com novas tentativas por parte do Egito de reavivar um diálogo estagnando, o que não aconteceu nos meses seguintes.

Com a chegada de setembro, os mediadores egípcios apresentaram sua enésima proposta de reconciliação interpalestina e fixaram a segunda quinzena de outubro para sua assinatura.

Nesta ocasião, o Fatah cumpriu sua parte e assinou a iniciativa, mas o Hamas pediu mudanças, queixando-se que tinham sido incluídos novos pontos de última hora, e tudo em meio à tempestade gerada pelo relatório Goldstone, que acusava o Exército israelense e o grupo islamita de crimes de guerra durante a ofensiva contra Gaza.

Mais uma vez, o Egito se viu forçado a adiar a data limite para a reconciliação, cujas negociações seguem estagnadas pelo tema das eleições palestinas e a continuidade do presidente da ANP, Mahmoud Abbas.

Em paralelo, quase no final do ano se intensificaram as conversas para libertar Shalit, e já se fala de datas próximas para isso, embora este assunto também tenha sido alvo de contínuos adiamentos.

Enquanto isso, continuam as visitas de líderes estrangeiros ao Egito, que sempre têm algo que dizer sobre o conflito do Oriente Médio, como o americano Barack Obama, o israelense Benjamin Netanyahu, e o representante da União Europeia (UE) Javier Solana.

Com ou sem reconciliação palestina ou a libertação de Shalit, o Egito quer em 2010 persistir em sua mediação, já que o país árabe mais povoado e aliado estratégico dos EUA na região ainda tem muito a dizer a respeito dessa sua missão. EFE ssa/mh

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