Mediação corre contra o tempo para tirar Honduras da crise

Nancy De Lemos. San José, 18 jul (EFE).- O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, trava este sábado uma corrida contra o tempo para encontrar, na mesa de negociação, uma saída à crise hondurenha, pressionado pelo ultimato dado por Manuel Zelaya e pelas críticas de líderes da esquerda latino-americanos.

EFE |

Zelaya, presidente deposto pelo golpe de Estado de 28 de junho, advertiu na noite de sexta-feira em Manágua que esperará até este fim de semana para que o processo de diálogo liderado por Arias renda frutos e, assim, volte ao poder.

"À meia-noite (sábado) vence o prazo para que o Governo golpista cumpra as resoluções da ONU e da OEA (Organização dos Estados Americanos) para que me restituam no poder. Se a essa hora não houver uma resolução nesse sentido, damos por fracassadas as negociações na Costa Rica", afirmou.

Já o líder costarriquenho e Prêmio Nobel da Paz 1987 reiterou hoje, no início da segunda rodada do diálogo, que a força "não será jamais a solução" para o conflito.

Arias, como mediador, recebeu de novo em casa as comissões enviadas por Manuel Zelaya e Roberto Micheletti, presidente de Honduras desde o golpe de Estado.

Ambos os grupos se sentaram à mesa do diálogo como fizeram em 9 e 10 de junho, no primeiro encontro da mediação, que não deu mais resultados além da decisão de seguir conversando.

O presidente da Costa Rica apresentou hoje às duas partes uma proposta de sete pontos concretos para resolver a crise, que inclui a restituição de Manuel Zelaya como presidente até janeiro.

Entre as recomendações de Arias se destaca a que propõe "a formação de um Governo de unidade e reconciliação nacional composto por representantes dos principais partidos políticos".

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, qualificou o processo como uma "aberração", porque "junta os golpistas com os constitucionalistas que foram depostos".

Já o presidente venezuelano, Hugo Chávez, assegurou que o diálogo "nasceu morto" e que é uma "armadilha" para Zelaya, ao mesmo tempo em que advertiu que em Honduras pode ser gerada uma guerra civil.

Enquanto corre o dialogo, em San José dezenas de manifestantes se aproximaram da residência do presidente para protestar contra a presença dos delegados de Micheletti, a quem chamaram de "golpistas" e "gorilas".

A formação das comissões que participam hoje na mediação variou um pouco em relação aos representantes da primeira jornada de conversas.

Pelo lado de Micheletti se encontram em San José o chanceler hondurenho em exercício, Carlos López; assim como Arturo Corrales, presidente do Partido Inovação e Unidade; Mauricio Villeda, candidato à Vice-Presidência pelo Partido Liberal, e Vilma Morales, ex-presidente da Suprema Corte.

A delegação de Zelaya é integrada pelo ex-ministro da Presidência Enrique Flores; a ex-ministra de Energia Rixi Moncada; Rafael Alegría, representante da Frente Nacional contra o Golpe, e Aristides Mejía, ex-ministro da Defesa.

Zelaya anunciou ontem à noite que não aceitaria "prêmios" para os golpistas, em alusão à proposta do Governo de conciliação nacional proposto por Arias.

Além disso, o presidente costarriquenho defenderá que Zelaya abandone suas pretensões de realizar uma consulta popular, declarada ilegal por várias instituições do Estado.

A consulta, para perguntar sobre a convocação de um plebiscito em novembro para dar início a uma Assembleia Constituinte, estava prevista para 28 de junho passado.

Nesse mesmo dia, Zelaya foi capturado pelo Exército e expulso do país para a Costa Rica, o que gerou uma crise que continua até hoje no país centro-americano. EFE nda/rr

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