Mecanismo que leva plâncton à luz pode ser ancestral de olhos dos animais

(Embargada até as 16h de hoje) Londres, 19 nov (EFE).- O plâncton desloca-se das profundezas marinhas para a luz graças a ocelos (arremedo de olhos semelhantes aos dos insetos) bicelulares presentes em diminutas larvas que poderiam ser um estágio ancestral da evolução dos olhos dos animais.

EFE |

Em artigo publicado hoje pela revista científica britânica "Nature", pesquisadores do Laboratório Europeu de Biologia Molecular de Heidelberg, na Alemanha, explicam o mecanismo de deslocamento do plâncton marinho, possível graças cerca de "simples ocelos" sensíveis às mudanças de luz.

A equipe chefiada por Detlev Arendt afirma que a migração do plâncton rumo à luz constitui o maior transporte de biomassa da Terra.

Diminutas larvas invertebradas permitem às comunidades de plâncton marinho viajar entre a superfície e camadas de águas profundas, dependendo das condições de luz.

Essas larvas podem detectar a intensidade da luz através de ocelos bicelulares que se parecem aos proto-olhos citados por Darwin como a primeiro passagem da evolução rumo ao olho dos mamíferos.

A equipe descobriu que a iluminação do ocelo produz mudanças nos flagelos adjacentes através de sinais colinérgicos (por fibras nervosas).

Graças a modelos de computador, os cientistas puderam confirmar a importância destes efeitos locais nos movimentos dirigidos rumo à luz e demonstraram que o plâncton navega com maior precisão se o organismo desenvolve uma pauta de deslocamento helicoidal pela água.

A equipe de pesquisadores sugere que este "motor sensorial" do plâncton representa uma estágio ancestral da evolução dos olhos dos animais. EFE vmg/jp

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