¿Me salvei por milagre¿, diz senador paraguaio

Polícia anuncia detenção de dois brasileiros suspeitos de ataque em cidade na fronteira do Brasil; atentado deixou dois mortos

iG São Paulo |

AFP
Senador paraguaio Robert Acevedo, do Partido Liberal, em Assunção (foto de arquivo)
O senador governista paraguaio Robert Acevedo, que sobreviveu a um atentado a balas que deixou dois mortos na segunda-feira em uma cidade na fronteira com o Brasil, atribuiu o ataque à máfia do narcotráfico que domina a divisa entre Paraguai e o País.

"Os responsáveis são narcotraficantes paraguaios associados aos brasileiros. Eles estão infiltrados na sociedade e são donos da vida e da morte. Eu me salvei por um milagre", relatou Acevedo.

O carro em que estava o senador foi alvejado na cidade de Pedro Juan Caballero, que faz fronteira com Ponta Porã (MS). Segundo pessoas próximas ao senador, ele havia recebido ameaças de morte por fazer denúncias contra narcotraficantes.

De acordo com o jornal local "La Nacion", a promotora de Caballero, Lourdes Peña, teria afirmado à rádio 780 AM que o carro usado no atentado seria um "clone" de um automóvel paulista que pertence ao Banco Itaú. Procurada pela reportagem do iG , a assessoria de imprensa do Itaú não quis se posicionar sobre o assunto.

O furgão do político foi atingido por cerca de 40 disparos. Senador pelo governista Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA), Acevedo foi atingido por dois tiros. Seu guarda-costa morreu ao tentar protegê-lo e o motorista, após ser baleado várias vezes.

O atentado aconteceu em pleno centro da cidade de Pedro Juan Caballero, capital do Departamento (Estado) de Amambay. A cidade é separada de Ponta Porã apenas por uma avenida.

Reuters
Foto mostra veículo que teria sido usado pelos autores do atentado

Brasileiros presos

A polícia de Amambay confirmou nesta terça-feira que dois brasileiros foram presos acusados de envolvimento no ataque .

Nevailton Marcos Cordeiro, que seria do Estado de São Paulo, e Eduardo da Silva, de Vitória (ES), foram presos em Pedro Juan Caballero. Eles estariam ligados, segundo a polícia local, ao grupo PCC (Primeiro Comando da Capital), o que ainda não foi confirmado. Durante as detenções, também teriam sido confiscados carros com chapas do Estado de São Paulo.

Acevedo é um empresário que atua com postos de gasolina e também é proprietário da rádio Amambay AM, que faz frequentes denúncias contra criminosos da região. O furgão em que estava no momento do atentado era utilizado nas coberturas diárias da emissora.

Estado de exceção

O crime ocorreu num dos cinco departamentos onde desde sábado foi imposto o estado de exceção, determinado pelo presidente paraguaio Fernando Lugo, com soldados do Exército nas ruas. Os demais Departamentos são San Pedro, Concepción, Alto Paraguay e Presidente Hayes.

O estado de exceção vale por 30 dias e sua aprovação foi pedida ao Congresso por Lugo. A medida foi adotada para facilitar o combate à guerrilha Exército do Povo Paraguaio, grupo armado de esquerda apontado como responsável por sequestros, assassinatos e ataques a delegacias.

O atentado também aconteceu poucos dias antes do encontro marcado para sexta-feira, em Ponta Porã, entre Lugo e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O caso causou preocupação entre assessores brasileiros e especula-se que a segurança pode ser reforçada durante a reunião.

*Com BBC e EFE

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