McCain viaja pela América Latina para mostrar sua capacidade diplomática

Macarena Vidal Washington, 1 jul (EFE).- O senador republicano John McCain começou hoje uma viagem por Colômbia e México como parte dos esforços que tanto ele como seu adversário na disputa pela Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, realizam para demonstrar suas capacidades em política externa.

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McCain permanecerá dois dias na cidade colombiana de Cartagena das Indias para se reunir com o presidente Álvaro Uribe e outras autoridades do país antes de viajar ao México.

O objetivo da viagem, que complementa outra anterior ao Canadá, é dar destaque ao apoio do candidato republicano ao livre-comércio e, especificamente, ao Tratado de Livre-Comércio (TLC) com a Colômbia, que está pendente de aprovação no Congresso americano diante da oposição democrata.

McCain também expressou seu apoio ao Tratado de Livre-Comércio da América do Norte (Nafta), no qual participam EUA, Canadá e México, e que foi alvo de fortes críticas de Obama.

Obama disse que caso chegue à Presidência fará pressão para introduzir garantias a favor do meio ambiente e da proteção do emprego no Nafta, e poderia ameaçar com uma retirada completa dos EUA desse acordo se as reformas não foram implementadas.

A questão do livre-comércio é de especial importância nos estados industriais do nordeste dos EUA, como Ohio, Michigan ou Pensilvânia, onde se culpa o Nafta pela perda de dezenas de milhares de postos de trabalho transferidos para o exterior.

Ontem, McCain reconheceu em discurso na Pensilvânia que seu apoio ao livre-comércio não é algo popular nesses estados, cujos votos devem ser muito disputados nas eleições de 4 de novembro.

"Abandonar minha defesa do livre-comércio seria trair meus princípios e meu ponto forte com os eleitores americanos é que eles podem confiar em mim", ressaltou o republicano.

O candidato republicano afirma que sua visita a México e Colômbia não tem objetivos eleitorais, mas mesmo assim seu comitê de campanha se apressou em destacar que Obama não viajou até o momento para a América Latina.

"Acho que é importante que nossos amigos e vizinhos entendam nosso compromisso com eles. O que ocorre na Colômbia e no México é muito importante para o futuro dos EUA.", disse McCain.

O senador pelo estado de Arizona conta com simpatizantes entre a comunidade latina nos EUA por ter apoiado no ano passado uma reforma migratória integral.

Sua viagem pode ajudá-lo a somar pontos perante um grupo de 9,2 milhões de eleitores latino-americanos, votos considerados decisivos para definir um vencedor no pleito de novembro.

A imigração ilegal será um dos assuntos abordados por McCain durante sua estadia no México, aonde irá na quinta-feira para se reunir com autoridades mexicanas.

Em discurso diante da Associação Nacional de Funcionários Latinos Eleitos e Nomeados (Naleo) no sábado passado, McCain afirmou que a imigração "foi, é, e será" sua "prioridade".

Obama também tenta conquistar a comunidade hispânica, que nas primárias democratas apoiou majoritariamente sua rival, Hillary Clinton.

O candidato democrata deve dedicar o resto da semana a fazer campanha no oeste do país, onde em estados como Colorado, a comunidade hispânica é muito grande.

Obama, que também falou no sábado perante a Naleo, comparecerá também às reuniões anuais de outros grupos latinos este mês.

O candidato democrata, que para muitos críticos tem pouca experiência em assuntos de segurança por ter passado apenas dois anos no Senado, tenta também demonstrar sua capacidade em política externa e anunciou que viajará nas próximas semanas para Europa e Oriente Médio.

Obama, que por razões de segurança não revelou as datas exatas de sua viagem, deve visitar Reino Unido, França, Alemanha, Jordânia e Israel.

A viagem, conforme explicou em comunicado, "será uma grande oportunidade para manter uma troca de pontos de vista com os líderes desses países" sobre assuntos "vitais para a segurança nacional dos EUA e da segurança mundial".

A presença de Obama em Israel é considerada especialmente significativa já que o senador por Illinois tenta ganhar confiança da comunidade judaica nos EUA, que em alguns casos se mostra preocupada por sua disposição a falar com regimes considerados inimigos. EFE mv/rr

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