McCain usa até etanol em duros ataques contra Obama

O republicano John McCain lançou os mais duros ataques contra o democrata Barack Obama no último dos três debates presidenciais realizados nesta quarta-feira na Universidade Hofstra, em Hempstead, no Estado de Nova York. O senador republicano procurou caracterizar o rival como um extremista em diferentes tópicos e usou até os impostos de US$ 0,54 por barril que o etanol brasileiro enfrenta para entrar no mercado americano como exemplo do suposto protecionismo de Obama.

BBC Brasil |

''Eu me oponho aos subsídios para o etanol porque acho que eles distorceram o mercado e criaram inflação. O senador Obama apóia esses subsídios. Eu eliminaria as tarifas sobre o etanol de cana importado do Brasil'', disse McCain.

McCain também afirmou que o rival é favorável à cobrança de mais impostos, acusou-o de ter se aliado às ''mais extremas'' posições pró-aborto, chegou a dizer que ''a premissa por trás dos planos de Obama é a guerra de classes'' e lembrou da suposta associação do democrata com o ex-ativista radical dos anos 60 William Ayers.

Joe, o encanador
O republicano também transformou um americano médio em protagonista do debate, o encanador Joe Wurzelbacher, que cruzou com Obama em um evento de campanha e abordou o candidato.

''Joe quer comprar o negócio no qual ele trabalha por todos esses anos, por 10,12 horas por dia. Mas ele olhou para seu plano e viu que ele iria pagar impostos bem mais altos.''
Obama respondeu dizendo que ''na conversa que tive com Joe, o encanador, o que eu disse a ele foi que 'há cinco anos, quando você tinha condições de comprar o seu negócio, você precisava de uma isenção fiscal'. E o que eu quero fazer é garantir que o encanador, a enfermeira, o bombeiro, o professor, o jovem empreendedor que ainda não tem dinheiro, que tenham um corte de impostos agora.''
O encanador ainda foi mencionado em diversas ocasiões por McCain ao longo do debate. E Obama chegou a afirmar em um trecho: ''Se Joe, estiver assistindo...''
Conteúdo negativo
O democrata voltou, assim como já tinha feito no embate anterior, a afirmar que o republicano pretende oferecer isenções fiscais para grandes corporações e afirmou que o rival tem divulgado comerciais cujo conteúdo é ''100% negativo''.

Nesta terça-feira, uma pesquisa realizada pelo jornal New York Times e a rede CBS mostrou que 60% dos americanos acreditam que McCain tem passado mais tempo atacando o rival do que apresentando suas propostas.

McCain criticou Obama por este não ter repudiado as declarações do congressista democrata John Lewis, que associou o conteúdo supostamente inflamatório de alguns comícios de McCain e da candidata a vice, a governadora Sarah Palin, com os pronunciamentos racistas do ex-governador segregacionista do Alabama George Wallace.

O democrata disse não endossar a comparação feita por Lewis, mas acrescentou que o tom de alguns correligionários de McCain foi extremado e a governadora Sarah Palin nada fez para contê-los.

''Todos os relatos deram conta de que republicanos estavam gritando, quando o meu nome era mencionado, coisas como 'terrorista' e 'matem-no' e que sua companheira de chapa não parou e disse 'espere um segundo, isso é completamente inapropriado'.''
William Ayers
Como muitos na mídia americana já haviam antecipado, McCain também levantou a suposta associação de Obama com William Ayers, um ex-militante do grupo radical dos anos 60 Weather Underground, que lançou atentados à bomba contra o Congresso e o Pentágono.

Anos mais tarde, Ayers pertenceu à diretoria de uma organização não-governamental da qual o democrata participou.

O republicano afirmou que os eleitores precisavam o saber o quão longe vai a relação entre Obama e Ayers.

Obama retrucou dizendo que Ayers ''não está envolvido com essa campanha, nunca esteve envolvido em minha campanha e não me dará conselhos na Casa Branca''.

Petróleo venezuelano
McCain comentou que os Estados Unidos podem e devem eliminar a sua dependência em petróleo do Oriente Médio e da Venezuela.

Para o republicano, uma das formas de fazer isso é ''construindo 45 novas usinas nucleares, o quanto antes (...) O senador Obama dirá a você, como fazem os ambientalistas extremados, que é preciso ser seguro. Olhe, nós navegamos navios da Marinha com usinas nucleares dentro deles há 60 anos, senador Obama, não há problema.''
Obama disse trabalhar com um prazo de dez anos, um período que ele qualificou como ''realista'', para que os Estados Unidos reduzam sua dependência em petróleo estrangeiro, de modo a não precisar mais importar combustível do Oriente Médio ou da Venezuela.

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