McCain, Um candidato republicano pouco convencional

César Muñoz Acebes. St. Paul (EUA), 4 set (EFE) - O senador John McCain, que será oficializado hoje candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, foi um estudante mediano, herói de guerra, legislador agressivo e um homem que desconfiou, em toda sua vida da autoridade, mas que, devido à sua rebeldia, está a um passo da Casa Branca.

EFE |

Essas características o tornam um candidato republicano pouco convencional.

"Como aqui o eleitorado diretamente escolhe o candidato nas primárias, ele conseguiu conquistar" a candidatura, afirmou o congressista Lincoln Díaz-Balart.

"Se fosse uma decisão dos hierarcas do partido, jamais teria conseguido a nomeação", acrescentou.

McCain, de 72 anos, nunca foi o homem mais popular entre os legisladores republicanos. "Ele colaborava com o outro partido (o Democrata), e isso não era visto como algo positivo", afirmou Roy Blunt, o "número dois" do Partido Republicano na Câmara Baixa.

Some-se a isso um gênio ruim que, por enquanto, ele conseguiu controlar na corrida presidencial.

Nestas eleições, McCain cultivou essa imagem de independente, de olho no cansaço do eleitorado com os republicanos.

No entanto, não foi falado que, para ganhar a confiança de seu partido durante as primárias, ele modificou sua postura sobre imigração - agora promete controlar a fronteira antes de qualquer regularização de imigrantes - e impostos - apóia a redução dos tributos contra a qual votou um dia.

Porém, não mudou a posição favorável a uma presença militar contundente no Iraque.

"Prefiro perder as eleições a perder a guerra", afirmou McCain, que disse que, no Vietnã, os EUA perderam porque seus líderes cederam à pressão pública e não enviaram tropas suficientes.

Sua participação nessa guerra foi um dos pontos de inflexão de sua vida.

Ele nasceu em 1936 em uma base naval americana no Canal do Panamá. Compartilhava com seu pai e seu avô o nome John Sydney McCain, e, como eles, estava destinado a ser militar.

Esteve a ponto de ser expulso da Academia Naval de Annapolis, a de maior prestígio dos EUA, onde foi punido tantas vezes por violar as rígidas normas que se formou como número 894 de 899 alunos.

Em 1958, deixou a Academia com a reputação de playboy, irreverente e desalinhado, mas sob a sombra gigante de seu pai e do avô, que chegaram a ser almirantes de quatro estrelas.

Em 1967, após um míssil derrubar seu bombardeiro no Vietnã, ele foi mantido como prisioneiro de guerra, e assim permaneceu por cinco anos e meio, tempo durante o qual nem mesmo as torturas diminuíram sua vontade de insultar seus guardiões.

Homem de princípios, McCain se negou a aceitar a libertação que lhe oferecia o Governo vietnamita em 1968, pela proeminência de seu pai.

As normas militares americanas obrigam que os prisioneiros aceitem ser libertados na ordem no qual foram capturados. À frente de McCain, havia mais de 100.

Quando, em 1973, pisou novamente em seu país, usando muletas, McCain sofria as seqüelas dos ferimentos que teve ao cair do avião, da falta de cuidados médicos e das surras que levou.

No campo profissional, ele se adaptou bem, com o cargo de chefe do escritório da Marinha no Congresso. No lado pessoal, seu gosto por mulheres fez com que se divorciasse de sua esposa, que tinha esperado por ele durante todo o tempo que esteve no Vietnã.

Um mês depois, McCain se casou com sua atual companheira, Cindy, uma mulher rica e 18 anos mais nova que ele.

Em 1985, ele entrou para o Senado, mas sua ascensão política sofreu um grave revés três anos depois, quando foi parte de um grupo de senadores que supostamente pressionaram para que um doador recebesse tratamento de graça em uma pesquisa.

O comitê que tratou do tema absolveu McCain, mas disse que tinha mostrado "um mau julgamento de valor".

McCain, obcecado com a honra, afirmou que isso era a pior coisa que tinha lhe "acontecido na vida".

Desde então, grande parte de seu trabalho como reformista no Senado veio de uma necessidade de se redimir. Agora, quer levar seu zelo à Casa Branca. EFE cma/rb/db

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