McCain teve encontro com Pinochet nos anos 80

O senador e candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, se encontrou em 1985, em Santiago, com o então presidente chileno Augusto Pinochet. Durante a atual campanha presidencial, o republicano tem criticado seu rival democrata, Barack Obama, por ter dito que aceitaria se encontrar incondicionalmente com líderes como o cubano Raúl Castro ou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.

BBC Brasil |

Ao longo da disputa, McCain procurou contrastar a sua postura com a de Obama, dizendo que não se "sentaria à mesa com ditadores".

Mas, em 1985, segundo telegramas do Departamento de Estado americano, o então congressista republicano descreveu o encontro que teve com o líder do regime acusado de ser responsável pela morte de pelo menos 3 mil pessoas como "amistoso" e até "caloroso".

Documentos

A revelação do encontro foi publicada nesta sexta-feira pelo site noticioso Huffington Post, em um texto assinado pelo jornalista e professor da Universidade de Columbia, em Nova York, John Dinges.

Dinges soube da reunião por meio de documentos sigilosos mantidos pelo Departamento de Estado que agora se tornaram domínio público.

De acordo com Dinges, "a afirmação feita por McCain de que é idiotice se encontrar com ditadores é contradita pelas suas próprias ações".

"Políticos se encontram com líderes estrangeiros, sem impor condições, por suas próprias razões", acrescentou o jornalista.

Resposta da campanha

Em um e-mail enviado à BBC, a campanha de McCain afirma que "existe uma grande diferença entre um congressista em começo de mandato se encontrar com um um ditador e um presidente manter reuniões incondicionais com ditadores".

No texto, a campanha ainda realça a ironia feita por McCain em relação às posturas ultra-conservadoras de Pinochet, lembrando que o então congressista comparou conversar com o líder chileno com falar "com o presidente da John Birch Society", em referência a uma organização anticomunista americana.

Os telegramas do Departamento de Estado relatam ainda que McCain destacou que a conversa entre os dois tratou basicamente dos "perigos do comunismo".

Segundo o republicano, o assunto era "um tema com o qual o presidente (Pinochet) parecia obcecado".
Os responsáveis pela campanha de McCain enfatizam que o político "foi um defensor-chave dentro do Partido Republicano da transição do Chile para a democracia e comandou inúmeras inciativas legislativas, entre elas a de defender financiamento americano para o plebiscito que pôs fim ao governo de Pinochet".

Sem pressões

Mas, segundo o jornalista John Dinges, os documentos que relatam o teor do encontro não apontam qualquer sinal de que entre os propósitos da reunião estivesse uma uma tentativa de pressionar o líder chileno a promover eleições livres ou uma transição democrática no Chile.

"Ele não manteve encontros também com líderes da oposição, ativistas de direitos humanos ou representantes da Igreja, ao contrário de outros políticos, como Ted Kennedy ou o republicano Richard Lugar, que estiveram no país pouco depois de McCain", afirma Dinges.

De acordo com o jornalista, os documentos da embaixada do Chile e do Departamento de Estado aos quais teve acesso mostram que McCain viajou ao país a convite das autoridades chilenas e enfatizou que desejava que o encontro tivesse um caráter privado.

Hinges afirma que a reunião não foi organizada pelo governo americano, como é praxe nessas situações. Segundo os documentos do Departamento de Estado, a reunião de McCain com o líder chileno, que assumiu o poder em um golpe militar em 1974, durou 30 minutos.

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