McCain suspende campanha para discutir plano financeiro

Por Steve Holland NOVA YORK (Reuters) - O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, propôs na quarta-feira o adiamento do debate de sexta contra o democrata Barack Obama, para que ambos participem da negociação do pacote de resgate das instituições financeiras. Obama rejeitou a proposta.

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"É hora de ambos os partidos se unirem para resolver este problema", disse McCain, anunciando que na quinta-feira suspenderia a campanha e voltaria a Washington - e convidando Obama a fazer o mesmo.

Em Clearwater, Flórida, onde se prepara para o primeiro dos três debates antes da eleição de 4 de novembro, o democrata disse não ver razão para cancelar o confronto marcado para sexta na cidade de Oxford, no Mississippi.

"Presidentes têm de lidar com mais de uma coisa de cada vez. O que eu planejo fazer agora é debater na sexta-feira", disse Obama.

McCain alertou que o pacote de resgate proposto pelo governo Bush, no valor de 700 bilhões de dólares, não será aprovado no Congresso em sua forma atual, e sugeriu que ele e Obama, por serem senadores, deveriam estar em Washington para negociar um consenso.

Durante o dia, os dois candidatos negociaram uma declaração conjunta sobre a crise, mas McCain acabou se antecipando ao anunciar sua posição primeiro.

Em desvantagem junto ao eleitorado no quesito "capacidade econômica", McCain tenta demonstrar que está apto a oferecer liderança durante a atual crise financeira, a pior nos EUA desde a Grande Depressão.

Pesquisa ABC News-Washington Post mostrou que Obama abriu uma vantagem de 52-43 por cento sobre McCain, números que a campanha republicana contestou.

McCain havia sugerido que ele e Obama participassem juntos da preparação de um plano, e que seria importante apresentar um consenso ao mercado financeiro antes da abertura do pregão de segunda-feira.

"Precisamos nos encontrar como norte-americanos, não como democratas ou republicanos, e precisamos nos encontrar até que esta crise seja resolvida", disse ele, sugerindo então que a Comissão para Debates Presidenciais adie o encontro do Mississippi até que o pacote financeiro seja definido.

A Universidade do Mississippi, cenário do debate, disse desconhecer qualquer adiamento. "Estamos preparados e esperamos plenamente que o debate ocorra", disse o reitor Robert Khayat.

NOTA CONJUNTA

Bill Burton, porta-voz de Obama, disse que o democrata telefonou na quarta-feira de manhã para McCain consultando-o sobre uma eventual declaração bipartidária.

"Às 14h30, o senador McCain retornou a ligação do senador Obama e aceitou se juntar a ele na divulgação de tal declaração. As duas campanhas estão atualmente trabalhando nos detalhes", disse Burton.

McCain sugeriu que o presidente George W. Bush convoque uma reunião de líderes bipartidários, inclusive Obama e McCain, para buscar um acordo.

O governo quer autorização do Congresso para gastar até 700 bilhões de dólares na compra de títulos "podres" e no saneamento de instituições financeiras em dificuldades, como forma de recuperar a confiança nos mercados.

Mas muitos parlamentares reclamam das regras a serem adotadas, que consideram uma ajuda camarada demais a Wall Street, enquanto milhares de mutuários inadimplentes sofrem a ameaça de despejo.

"É uma lei muito impopular", disse o deputado republicano Tom Davis em Washington. "A lei está em apuros no Congresso. Vamos trabalhar juntos para consertá-la."

McCain disse ser essencial aprovar logo uma lei contra esta "crise histórica". "Se não, o crédito vai secar, com devastadoras consequências para nossa economia. As pessoas não poderão mais comprar casas, e a economia de suas vidas inteiras estará em jogo."

Steve Schmidt, estrategista da campanha republicana, disse que a suspensão da campanha inclui retirar todos os anúncios do ar, e que a candidata a vice, Sarah Palin, também não participará de compromissos eleitorais. Eventos de arrecadação também serão cancelados.

(Reportagem adicional de Deborah Charles, John Whitesides e Thomas Ferraro)

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