McCain surpreende e escolhe governadora do Alasca para vice

O candidato republicano à Casa Branca John McCain optou por apostar pesado anunciando nesta sexta-feira, apenas algumas horas depois do discurso de posse de seu adversário democrata Barack Obama, que sua número dois é uma jovem com trajetória de destaque.

AFP |

McCain que comemora seus 72 anos nesta sexta-feira mostra ainda que é um "franco-atirador", --título que o campo democrata contesta--, conseguindo contrabalançar em poucas horas o impacto do discurso de posse de Obama que reuniu 84.000 pessoas em um estádio de Denver (Colorado, oeste).

Enquanto os especialistas aguardavam a indicação de pesos-pesados como Mitt Romney ou Joe Lieberman, McCain optou pela audácia. Sarah Palin, sua companheira de chapa, que pode ser a primeira mulher a entrar na Casa Branca no posto de vice-presidente, se o senador pelo Arizona for eleito presidente em novembro, é governadora do Alasca desde 2006.

Aos 44 anos, ela tem três a menos que Obama.

"O senador John McCain anunciou hoje que escolheu a governadora do Alasca, Sarah Palin, para ser a sua companheira de chapa e exercer o posto de vice-presidente", afirmou a campanha McCain em um comunicado.

"A governadora Palin é uma política sólida que demonstrou durante seu mandato que está preparada para ser presidente" substituta, caso seja necessário, acrescentou a equipe de McCain.

"Ela aproximou republicanos e democratas em seu governo e tem a reputação de promover mudanças e a reforma de que precisamos em Washington", acrescenta o texto.

Forte no combate à corrupção dentro do partido republicano em seu Estado, essa jovem de pele morena nascida no dia 11 de fevereiro de 1964, formada em Comunicação e Jornalismo, pertence à ala conservadora do partido.

Casada e mãe de cinco filhos, ela é contra o aborto, membro da National Rifle Association (NRA), o poderoso lobby americano das armas de fogo, e defensora da construção de um gasoduto para transportar o gás natural através do Alasca, o estado americano mais extenso dos Estados Unidos. Para o descontentamento dos ecologistas, ela defende também com vigor a abertura da Reserva Natural Ártica (Arctic National Wildlife Refuge) à exploração de petróleo, um dos eixos da política energética pregada por McCain.

Mas, como McCain, ela tem uma reputação de "franco-atiradora", não hesitando em se opor às autoridades de seu próprio partido.

Ela também tomou distância de duas lideranças republicanas, o senador Ted Stevens e o representante Don Young, suspeitos de corrupção pela justiça federal.

À frente da Comissão de Petróleo e Gás do Alasca, Palin denunciou violações éticas do próprio presidente do Partido Republicano do Alasca.

Com esse anúncio de McCain, republicanos e democratas estão preparados para a reta final.

Fortalecidos pelo discurso de seu candidato à Casa Branca Barack Obama, os democratas, enfim unidos ao término de sua convenção, também estão prontos para a batalha.

Faltam apenas 70 dias para a eleição presidencial americana.

Os democratas, que deram início à convenção de Denver ainda traumatizados com a longa disputa das primárias, estão unidos. Hillary Clinton e seu marido, o ex-presidente Bill Clinton, preferiram atender aos interesses de seu partido e se juntaram com elegância à campanha do senador pelo Illinois.

Obama, senador há apenas três anos, é o primeiro negro a ter uma chance de ser eleito presidente dos Estados Unidos.

A convenção republicana começa na segunda-feira em St Paul (Minnesota, norte). O presidente George W. Bush e o vice-presidente Dick Cheney devem comparecer a essa reunião.

aje/dm/sd

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