McCain promete mudanças mas mantém o apelo patriótico

O candidato republicano à Casa Branca, John McCain, prometeu que como presidente dos Estados Unidos fará mudanças em Washington, mas não abandonou o apelo patriótico de sua campanha, no discurso realizado nesta quinta-feira, na Convenção Republicana.

AFP |

McCain começou dando "um primeiro aviso para esse povo antigo, esbanjador, que não faz nada, que pensa 'primeiro, eu, depois o país' em Washington: a mudança está chegando".

"Não tenho o hábito de quebrar as promessas com o meu país. Quando digo que vamos mudar Washington (...) não vamos deixar isto para as próximas gerações (...) Temos o poder de fazer isto e vamos cumprir nossa promessa", garantiu o candidato dos republicanos.

McCain destacou que não vai trabalhar para o partido, e sim para o povo americano, e lembrou que sempre lutou contra a corrupção, tanto em instituições democratas como em republicanas: "Aquele que desperdiçar o dinheiro público, vou atrás dele, não importa de que partido".

"Lutei contra os lobistas, contra as companhias de cigarros, lutei para mandar mais tropas ao Iraque, e isto quando não era a coisa mais popular a ser feita (...) Quando falaram que minha campanha tinha acabado, disse que preferia perder a eleição do que ver meu país perdendo uma guerra".

Estendendo a mão aos democratas e aos independentes, McCain disse que ficará ao lado de "qualquer um que me ajudar a fazer o país avançar" novamente. "Trabalharei com membros de ambos os partidos para resolver os problemas que precisam ser resolvidos. É assim que governarei como presidente".

Em um dos momentos mais aplaudidos do discurso, McCain revelou que não se importa de lutar e que, no final, não importa com quem se está lutando, e sim pelo que se está lutando: "Eu luto pela América (...) Luto para recuperar o orgulho do partido porque perdemos a confiança do povo americano (...) Os dois partidos perderam a confiança do povo (...) quando apoiaram as petrolíferas (...) Mas vamos mudar isto mostrando os nossos valores".

McCain disse que foi "abençoado pela falta de sorte" por cair prisioneiro no Vietnã: "Achava divertido lutar, fazia isto por prazer, não pensava em qualquer causa, lutava por mim".

Quando foi preso, McCain percebeu seus limites, não podia sequer se alimentar (com os braços quebrados), e foi salvo por dois companheiros de cela.

O candidato revelou que por ser filho de almirante, seria solto pelo inimigo, mas recusou a oferta para "mostrar que era duro o bastante" e "apanhou muito, por muito tempo" dos vietnamitas.

McCain lembrou que quando voltou à cela, um prisioneiro lhe disse: "Você lutou mais do que podia (...), agora volte ao seu país e lute por ele. Nenhum homem pode lutar sozinho".

Após esta experiência, McCain "se apaixonou" pelos Estados Unidos: "Nunca mais fui o mesmo. Não era mais dono de mim, era um homem do meu país".

"Amo (os EUA), porque, não é apenas um lugar, mas uma idéia que vale que lutemos por ela (...) Amo este país não apenas pelos muitos confortos da vida aqui, mas por sua decência, por sua fé na sabedoria, na Justiça e na bondade de nosso povo".

McCain aproveitou o discurso para advertir Moscou contra suas ações militares nos países vizinhos: "Como presidente, trabalharei para estabelecer boas relações com a Rússia, para que não tenhamos que temer a volta da guerra fria, mas não podemos fechar os olhos à agressão ou ao que viole a lei internacional e ameace a paz e a estabilidade do mundo e a segurança do povo americano".

"Invadiram um vizinho pequeno e democrático para ter mais controle sobre as reservas mundiais de petróleo, intimidar outros vizinhos e avançar em sua ambição de reunificar o Império Russo", disse McCain sobre a operação na Geórgia.

"Sei como o mundo funciona, conheço o bom e o mau, e vou trabalhar pela paz e me levantar contra os que não querem a paz", destacou o candidato republicano, que prometeu usar toda a sua "experiência" para construir uma "paz duradoura" no mundo.

Na área econômica, McCain prometeu furar mais poços de petróleo, criar novas usinas nucleares e explorar fontes de energia alternativas para acabar com a dependência energética dos Estados Unidos.

O candidato também prometeu reduzir impostos para criar empregos e fortalecer as empresas americanas, além de abrir os mercados, o que é "essencial" neste mundo globalizado

afp/tt/LR

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