McCain nega favoritismo em eleições presidenciais

Teresa Bouza Washington, 9 jul (EFE).- O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, reconheceu em entrevista à Agência Efe que parte em desvantagem em relação a seu adversário, o democrata Barack Obama, e insistiu que tem muito trabalho pela frente antes das eleições de novembro.

EFE |

"Não sou o favorito nesta corrida. Temos muito trabalho a fazer", afirmou o senador pelo Arizona durante a entrevista em um hotel no centro de Washington.

Mas sem se intimidar, McCain diz que é assim que gosta de estar, por causa dos desafios.

"Esta é uma campanha competitiva. Estamos atrás. Sou o que parte com menos chances e é isso que eu gosto", comentou.

McCain costuma dizer isso até em atos de arrecadação de fundos.

A afirmação não é só um reflexo das inquietações do senador, mas também uma lembrança de sua capacidade de se recuperar em situações difíceis como demonstrou ao conseguir a candidatura presidencial de seu partido apesar dos problemas de sua campanha e de não ser o favorito.

Sua atual desvantagem é inegável. O site Real Clear Politics, que calcula uma média entre os resultados de distintas pesquisas, coloca Barack Obama 5,5 pontos percentuais à frente de McCain na preferência dos eleitores para as eleições do próximo dia 4 de novembro.

No entanto, Obama não se acha favorito para assumir a Casa branca.

"Sou eu o que parte com desvantagem", disse o senador por Illinois na segunda-feira em um ato eleitoral, após lembrar no sábado que, ao contrário dele, McCain faz parte da classe dirigente de Washington há anos.

Sua juventude - tem só 46 anos contra os 71 de McCain - e o fato de ser negro fazem com que muitos o considerem ainda em desvantagem e ajudam a explicar o fato de Obama não baixar a guarda apesar de sua atual superioridade nas pesquisas.

Contudo, McCain explicou à Efe que buscará enfraquecer a mensagem de "mudança e esperança" de Obama com seu slogan de "reforma, prosperidade e paz".

"Precisamos reformar o Governo e a forma como as coisas são feitas em Washington", disse o senador em um discurso similar ao defendido por Obama.

Além disso, McCain assegura que devolverá a prosperidade à abatida economia dos EUA mediante cortes fiscais e que trará de novo a paz a um país em guerra, mas não sem antes ganhar o conflito do Iraque.

"Precisamos de paz e isso pode ser conseguido, em minha opinião, prolongando o êxito do aumento (de tropas) e trazendo outra vez os soldados com honra, não derrotados", afirmou McCain, que ressaltou isto é o que seria feito por Obama, que deseja fixar uma data para a retirada do país árabe.

McCain se mostrou ainda convencido de que conseguirá o equilíbrio orçamentário no final do que seria seu primeiro mandato em 2013.

Esses planos foram recebidos com ceticismo ao coincidir com um programa de cortes fiscais que deixará mais vazios os já minguados cofres públicos americanos.

"Cinco prêmios Nobel e 200 economistas concordam que meu plano econômico é bom e que com ele podemos equilibrar o orçamento", lembrou o senador.

Durante a entrevista, ele descartou que sua proposta migratória seja idêntica a de Obama e disse que seu rival votou cinco vezes a favor de emendas "fatais" para o projeto de reforma migratória integral que fracassou no ano passado no Congresso.

Para McCain, Obama buscava com essa oposição abolir o programa de trabalhadores temporários.

"Isso é o que queriam os sindicatos e (ele) fez o que desejavam os sindicatos", afirmou.

O comitê de campanha de Obama negou em comunicado essas acusações, ao insistir que as citadas emendas buscavam um programa de trabalhadores temporários com proteções trabalhistas.

Esse debate é só um dos muitos que se aproximam, e que McCain diz estar preparado e com desejo de começar logo. EFE tb/rb/rr

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