McCain lembra espírito adolescente em viagem pelos EUA

Teresa Bouza Washington, 1º abr (EFE).- O candidato republicano à Presidência americana, John McCain, lembrou hoje seu espírito adolescente durante a segunda parada de uma viagem pelos locais e cidades mais importantes de sua história pessoal, que o levou ao colégio interno no qual estudou no estado da Virgínia.

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"Quando cheguei aqui, era um rapaz um tanto quanto fanfarrão", afirmou o senador pelo Arizona no centro escolar da cidade de Alexandria, na Virgínia, a poucos quilômetros da capital americana.

Filho e neto de militares, o jovem McCain estava acostumado a ser transferido de um colégio para outro até seus pais o colocarem na Episcopal High School da Virgínia, instituição que atraía então os filhos de famílias aristocráticas do sul dos Estados Unidos.

"Eu era sempre o garoto novo, e estava acostumado a demonstrar rapidamente em cada novo colégio que não era alguém que podia ser desafiado superficialmente", contou o senador.

"Durante minha juventude, costumava responder de forma agressiva e até mesmo irresponsável em algumas ocasiões, diante de qualquer pessoa que eu pensasse que tinha questionado meu sentido de honra e respeito", explicou McCain.

O senador de 71 anos - que tem fama de ter um temperamento explosivo - reconheceu que essa atitude lhe causou problemas não só na adolescência, mas também durante sua vida adulta.

"Sou conhecido por esquecer em algumas ocasiões a discrição esperada de uma pessoa da minha idade e condição, quando acho que alguém faltou o respeito comigo sem motivo", afirmou McCain.

Entretanto, o candidato presidencial republicano insistiu que suas atitudes são mais calmas hoje, em comparação às de seus anos estudantis, e assegurou que as pessoas que o conheceram à época ficariam "maravilhadas" com seu atual autocontrole.

Grande parte do discurso que o senador fez hoje se centrou na influência que seu ex-professor de literatura inglesa William Ravenel, já falecido, teve sobre ele durante seus anos na Episcopal High School.

"Ravenel nos fez apreciar o quão profundas eram as emoções que moviam as tragédias dos personagens de Shakespeare", disse McCain sobre o professor, a quem descreveu como "um dos melhores homens que já conhecera em sua vida".

McCain lembra em "Faith of My Fathers" ("A fé de meus antepassados", em tradução livre), livro de memórias publicado em 1999, que Ravenel era a única pessoa fora de sua família que queria ver quando foi libertado de um campo de prisioneiros no Vietnã, em 1973, depois de cinco anos de cativeiro.

"Sentia que era alguém para quem poderia explicar o que tinha ocorrido comigo, pois sabia que me entenderia", assegura o candidato presidencial republicano em seu livro.

Porém, McCain não pôde encontrar com seu professor porque este havia morrido dois anos antes de sua libertação devido a um ataque cardíaco - uma morte com a qual não se conforma.

"É uma perda que ainda é difícil de aceitar", afirmou o senador.

"Ele me ensinou a ser um homem e a crer que não somos escravos das piores partes de nossa natureza. Sempre acreditarei que há um Ravenel para cada criança", concluiu, em discurso emocionado.

O candidato republicano começou sua viagem "autobiográfica" na segunda-feira no Mississippi, o estado original da família McCain, onde visitou um aeroporto da Marinha que leva o nome de seu avô, um almirante condecorado.

McCain recebeu parte de seu treinamento militar nessa base quando estava na casa dos 20 anos de idade.

A cidade de Meridian, onde fica a base, era um lugar no qual não havia muito o que fazer. Com isso, o senador decidiu criar um clube social, ao qual os convidados chegavam de barco e cujas festas se tornaram memoráveis.

O escritor Robert Timberg, autor de "John McCain: An American Odyssey" ("John McCain, uma odisséia americana", em tradução livre) lembra em seu livro que as festas se transformaram em "ímãs para as mulheres locais", atraídas pela originalidade dos eventos do clube social.

O senador continuará sua viagem na quarta-feira, em Annapolis, no estado de Maryland, cidade que viu quatro gerações dos McCain desfilarem pela escola naval da cidade. Em seguida, o candidato presidencial republicano vai à Flórida, onde recebeu treinamento como piloto de avião.

O giro de McCain termina em Prescott, no Arizona, onde um dos heróis do parlamentar, o senador Barry Goldwater, lançou sua campanha presidencial em 1964. EFE tb/bba/gs

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