McCain ganha apoio do homem que o prendeu no Vietnã

O aposentado Tran Trong Duyet, ex-diretor da prisão vietnamita onde foi mantido o provável candidato republicano à Presidente dos Estados Unidos, John McCain, se tornou um dos seus mais improváveis cabos eleitorais. McCain é meu amigo.

BBC Brasil |

Se eu fosse americano, votaria nele", disse à BBC Duyet, agora com 75 anos, sobre o homem que esteve sob sua responsabilidade há 40 anos.

Durante a guerra do Vietnã, Duyet era o encarregado da famosa prisão de Hoa Lo, o local onde McCain afirma ter sido espancado e torturado brutalmente durante cinco anos e meio como prisioneiro de guerra.

Durante o conflito, John McCain foi piloto da Marinha americana, mas seu avião foi derrubado em 1967 durante uma operação de bombardeio na capital norte-vietnamita, Hanói.

Ele conseguiu se ejetar do avião e caiu de pára-quedas em um lago da cidade. Em seguida foi capturado e arrastado por uma multidão, quase inconsciente, com os dois braços quebrados e uma fratura na perna.

Ele foi levado para a prisão de Hoa Lo, conhecida pelos militares americanos presos no local como "Hanói Hilton".

Conversas
"Não sei como ele reagiria se me encontrasse de novo", disse Duyet, olhando para um velho álbum de fotografias em preto e branco, no qual ele e seus prisioneiros americanos em Hoa Lo estão retratados.

Duyet se lembra de como chamava McCain para conversas informais em seu escritório.

"Costumávamos discutir a guerra, se era certa ou errada", disse. "Ele era um homem muito honesto, muito conservador e muito leal ao seu país e ao ideal americano."
"Ele tinha um sotaque muito interessante e, algumas vezes, me ensinava palavras em inglês e corrigia meu sotaque. Acompanhei a carreira dele desde que saiu da prisão", acrescentou Duyet.

Sem tortura
McCain afirmou que os meses de confinamento solitário e tortura sistemática na prisão de Hoa Lo o levaram a tentar o suicídio.

"Posso confirmar que nunca o torturamos. Nunca torturamos nenhum prisioneiro", disse Duyet. "Ele não falou a verdade."
"Mas, de alguma forma, posso compreendê-lo. Ele mente para os eleitores americanos para conseguir apoio para sua eleição à Presidência", acrescentou.

É impossível verificar se o que Duyet diz é verdade. A versão dele deve ser tratada com cautela, já que o Vietnã é um país no qual as autoridades comunistas ainda mantêm o controle sobre a imprensa.

Relações
As relações entre Estados Unidos e Vietnã melhoraram muito nos últimos anos depois da normalização, em 1995, das relações entre os dois antigos inimigos.

McCain teve um papel importante na reaproximação inicial dos dois países, um fato que ajuda a explicar o apoio de Duyet ao republicano.

"Desejo a ele sucesso na campanha presidencial", disse. "Claro, os americanos começaram a guerra no Vietnã e mataram muita gente - mas agora queremos deixar o passado para trás."
"Então agora considero John McCain meu amigo, pois ele fez muito para melhorar as relações entre nossos países. E se ele se tornar o presidente, vai fazer mais para melhorar as relações", afirmou.

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