McCain e Obama se preparam para segundo debate de presidenciáveis

Nashville (EUA.), 6 out (EFE) - Os candidatos à Presidência dos Estados Unidos Barack Obama e John McCain seguiram hoje sua série de ataques incisivos para tentar convencer os eleitores indecisos, na véspera do segundo e penúltimo debate e em um momento em que as pesquisas tendem a favorecer o democrata.

EFE |

Um dia antes do encontro na Universidade Belmont, em Nashville, no Tennessee, os candidatos continuaram tentando reabrir velhas feridas sobre seu passado.

A campanha do republicano McCain acusou o democrata Obama de se associar com William Ayers, ex-militante e fundador do grupo radical Weathermen, que, nos anos 1960, se atribuiu a autoria de atentados contra o Pentágono e o Capitólio.

A equipe de campanha de Obama respondeu alegando que o senador por Illinois não possui vínculos com Ayers, agora professor universitário, embora os filhos de ambos freqüentem o mesmo colégio.

No contra-ataque, a campanha de Obama divulgou um documentário de 13 minutos no qual destacou as ligações de McCain com o banqueiro Charles Keating, que foi declarado culpado de fraude financeira no início dos anos 1990 e passou cinco anos na prisão.

Keating era o presidente da firma Lincoln Savings, cuja falência fez com que mais de 20 mil investidores, a maioria deles idosos, perdessem suas economias.

Após uma investigação do Congresso, os legisladores determinaram que McCain não cometeu irregularidades para beneficiar Keating no escândalo financeiro conhecido como "Keating five", por implicar cinco senadores.

Obama disse que a reciclada linha de ataque de McCain não é mais que um ato de "distração" e "desespero", porque, em sua opinião, o senador republicano está ficando sem tempo e idéias para convencer os eleitores.

Como antecipação do que espera Obama, a companheira de chapa de McCain, Sarah Palin, disse hoje em uma entrevista ao jornal "The New York Times" que é válido ampliar a discussão sobre os vínculos de Obama com Ayers e com seu outrora mentor espiritual, o reverendo afro-americano Jeremiah Wright.

Seus comentários parecem contradizer a posição de McCain, que, em abril, condenou um anúncio do Partido Republicano da Carolina do Norte que qualificava Obama de "extremista" por sua associação com Wright e afirmou que esse tipo de ataques não ocorria em sua campanha.

Kristine Lalonde, professora da Universidade Belmont, disse em entrevista à Agência Efe que "os ataques pessoais surtem efeito, até quando as pessoas dizem que não gostam desse tipo de campanha".

No entanto, "no debate de amanhã, acho que veremos um bom comportamento dos candidatos", afirmou a especialista.

"Muitos eleitores estão sofrendo os efeitos da crise econômica e os candidatos terão que dar respostas claras e não recorrer a ataques", acrescentou.

Embora no debate de amanhã os eleitores possam fazer perguntas de qualquer índole, se prevê que a crise econômica será o tema dominante.

Se a idéia de McCain é semear a dúvida sobre Obama, a do senador de Illinois é seguir pintando o adversário como um simples seguidor do presidente americano, George W. Bush, e isso, aparentemente, está surtindo efeito em estados-chave nesta disputa.

Uma pesquisa nacional da emissora "CNN" indicou hoje que Obama está aumentando sua vantagem contra McCain, em um momento em que o país atravessa uma grande ansiedade pela crise financeira e a popularidade de Bush se situa agora em 24%.

Segundo essa pesquisa, Obama tem uma vantagem de oito pontos em relação a McCain, o dobro do que o democrata obteve na mesma sondagem em meados de setembro.

Cerca de 53% dos possíveis eleitores apoiaram Obama para a Presidência do país, contra 45% que respaldaram McCain, segundo a consulta.

Na chamada "pesquisa de pesquisa" da "CNN", que incorpora também os dados das pesquisas de Gallup e Hotline realizadas entre 3 e 5 de outubro, Obama abre vantagem frente a McCain por seis pontos, com 49% contra 43% do senador republicano.

A impopularidade de Bush é uma má notícia para McCain, porque, segundo sugere a pesquisa, um crescente número de americanos acredita que o candidato republicano seguiria as mesmas políticas do atual inquilino da Casa Branca. EFE mp/db

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