McCain e Obama questionam plano de resgate financeiro do Governo

Teresa Bouza. Washington, 22 set (EFE).- Os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, questionaram hoje o multimilionário resgate financeiro buscado pelo Governo e pediram uma supervisão maior que a prevista no plano inicial.

EFE |

O Congresso americano se prepara para aprovar esta semana um plano de resgate financeiro de US$ 700 bilhões que o Governo usará para adquirir os ativos em poder das instituições financeiras.

Inicialmente, o plano redigido pelo secretário do Tesouro americano, Henry Paulson, preserva a máxima flexibilidade para o uso dos fundos sem nenhum tipo de mecanismo de revisão das decisões.

"Nunca antes na história de nosso país se tinha concentrado tanto poder nas mãos de uma pessoa só", disse hoje McCain referindo-se a Paulson durante ato eleitoral na Pensilvânia, um dos estados-chaves na corrida pela Casa Branca.

"Este acordo me incomoda", ressaltou o republicano.

O senador pelo Arizona pediu a criação de um comitê de supervisão bipartidário que poderia ser liderado, segundo ele, pelo milionário Warren Buffett ou por algum outro líder empresarial que tenha respeito público.

Da mesma forma se expressou Obama, que, após criticar o que chamou de "avareza e irresponsabilidade" de Washington e Wall Street, reiterou que não se pode dar um cheque em branco ao Governo sem supervisão nem responsabilidade.

O senador democrata destacou que "a falta de supervisão e responsabilidade" foi o que colocou o país "nesta confusão".

As declarações de Obama chegam após um fim de semana marcado pelos assuntos econômicos no qual os dois candidatos destacaram que o enorme plano do Executivo para estabilizar os mercados não lhes fará recuar em suas ambiciosas agendas de Governo.

McCain afirma que continuará com seu plano para estender os cortes fiscais aprovados por George W. Bush.

Já Obama sustenta que reformará o sistema de saúde do país e reduzirá os impostos para a maioria da classe média, embora pretenda aumentar carga fiscal para os que ganham mais de US$ 250 mil anuais.

Está previsto que os aspirantes à Casa Branca voltem a se concentrar na economia amanhã, embora com o decorrer da semana o foco deva voltar para os preparativos do primeiro dos três debates presidenciais, na sexta-feira, no Mississipi.

O debate de 90 minutos sobre política externa e segurança nacional, que deve atrair uma audiência milionária, pode marcar um momento-chave na campanha.

No caso de McCain, o debate é uma oportunidade de alimentar as dúvidas dos eleitores sobre a experiência e a capacidade de governar de Obama e demonstrar, ao mesmo tempo, que ele está em plena forma em seus 72 anos.

O senador pelo Arizona, um veterano da Guerra do Vietnã e defensor da permanência no Iraque, vai, a princípio, com vantagem para o primeiro debate, que tratará dos temas que ele mais domina.

Por sua vez, Obama deverá convencer os eleitores de que é a pessoa adequada para liderar a necessária mudança em um país com duas guerras abertas e uma economia em queda livre.

Além disso, o primeiro encontro com seu adversário lhe permitirá insistir na idéia de que McCain representa "mais do mesmo", quatro anos mais do que Obama descreve como "fracassadas" políticas de Bush.

O debate do Mississipi e os que acontecerão em 7 e 15 de outubro no Tennessee e em Nova York, respectivamente, devem ofuscar as outras atividades eleitorais durante as próximas semanas. EFE tb/rb/rr

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