McCain e Obama intensificam busca por voto hispânico

María Peña Washington, 8 jul (EFE).- Os candidatos à Presidência dos Estados Unidos Barack Obama e John McCain intensificaram hoje a busca pelo voto hispânico e ofereceram visões diferentes, tanto em tom quanto em conteúdo, sobre o rumo da economia e o avanço da principal minoria no país.

EFE |

Durante a 79ª convenção da Liga de Cidadãos Latino-americanos Unidos (Lulac, em inglês), os dois se apresentaram como o melhor candidato para liderar o país, em um contexto em que a crise econômica afeta milhões de americanos.

O candidato republicano apresentou uma forte defesa de seu plano de cortes de impostos para a pequena empresa, e insistiu em que a segurança fronteiriça passa por uma possível reforma migratória.

"Devemos provar (aos americanos) que podemos e conseguiremos assegurar nossas fronteiras primeiro, mas, por sua vez, respeitamos a dignidade e os direitos dos cidadãos e residentes legais", disse McCain em seu discurso, o qual durou aproximadamente meia hora.

Obama discursará esta tarde, mas sua campanha antecipou à imprensa parte do discurso, muito marcado por tons populistas e mais extenso sobre a questão migratória.

Para Obama, esta disputa se trata de construir "um Governo que funcione para todos os americanos", afetados, disse, por uma anêmica economia, escolas em mau estado e uma educação inferior, escassez de cobertura médica, e a imigração ilegal, entre outros problemas.

"Precisamos de um presidente que não abandonará algo tão importante quanto a reforma (migratória) integral quando for politicamente impopular", acrescentou Obama, que reiterou sua promessa de tornar a questão a "maior prioridade" durante o primeiro ano de mandato, se for eleito em novembro.

Tanto Obama quanto McCain compartilham, minimamente, da mesma idéia sobre o que fazer com a presença de 12 milhões de imigrantes ilegais nos Estados Unidos.

Só que McCain, arquiteto de uma reforma em 2007, já não apóia mais esse plano, tentando atrair a ala conservadora do partido.

Agora, o candidato republicano destaca a necessidade de fortalecer primeiro a fiscalização na fronteira sul, e essa foi a mensagem que repetiu hoje.

Mais à frente, a campanha distribuiu um folheto no qual destacou que Obama apoiou cinco emendas "venenosas" que sepultaram a reforma migratória em 2007.

Ao destacar os problemas que afligem os Estados Unidos, McCain disse que é resulta inaceitável que, "em um país tão grande quanto o nosso", a metade dos estudantes hispânicos e a metade dos negros não concluam o ensino médio.

E os americanos que conseguem, ficam bem atrás em ciências e matemática, em comparação com outros países industrializados, afirmou.

Sobre a economia, McCain criticou a taxa atual de impostos que a pequena empresa paga, que, segundo disse, adiará a recuperação econômica e tornará os EUA "menos competitivos na economia mundial".

Seguindo essa vertente, McCain propôs reduzir de 35% a 25% a taxa tributária para essas companhias e disse rejeitar "as falsas virtudes do isolamento econômico".

Sem mencionar os acordos de livre-comércio pendentes no Legislativo, McCain assegurou que não é construindo barreiras à concorrência externa, e sim reduzindo-as, que se consegue criar mais e melhores empregos, o que ajuda a controlar as pressões inflacionárias.

Ele também se solidarizou com as pessoas que foram deslocadas pelo comércio exterior, apoiando uma reforma "exaustiva" dos programas de desemprego e capacitação desses trabalhadores.

Nada do discurso impressionou os ativistas democratas, que qualificaram o candidato republicano de "mais do mesmo".

Pelo menos nove milhões de hispânicos comparecerão às urnas em 4 de novembro e, com uma disputa tão acirrada, ambos os candidatos disputam cada um dos votos, começando com os presentes neste fórum.

EFE mp/db

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