McCain e Obama buscam últimos votos no decisivo estado da Flórida

Emilio Sánchez. Miami, 1 nov (EFE).- O estado da Flórida volta a ser decisivo no resultado final das eleições presidenciais americanas deste ano, assim como nas duas anteriores, e os candidatos John McCain e Barack Obama tentam conseguir os últimos votos neste final de semana.

EFE |

Para isso, republicanos e democratas usarão artilharia pesada hoje e amanhã. McCain enviou sua candidata à vice, Sarah Palin, a Orlando, e ele mesmo participará de vários atos no domingo ao lado de cubano-americanos em Miami.

Já Obama, utilizará a ex-primeira-dama americana e senadora por Nova York, Hillary Clinton em Orlando e Miami e seu candidato a vice-presidente, Joe Biden, no norte do estado.

Depois que o republicano e atual presidente dos EUA, George W.

Bush, venceu o então candidato democrata Al Gore na Flórida por 537 votos nas eleições de 2000, após uma apuração que durou cinco semanas e precisou da intervenção da Suprema Corte, os 27 votos no Colégio Eleitoral desse estado voltam a ser determinantes.

E dentro desse voto, os eleitores hispânicos se mantêm como um dos principais alvos, pois representam 12% do total do estado.

O voto cubano continua tendo o maior peso, mas cada vez menos pela mudança demográfica registrada nos últimos anos com o aumento de novos eleitores hispânicos de origem colombiana, venezuelana e, sobretudo, porto-riquenha concentrados no centro da Flórida.

O voto cubano deixou de representar 46% dos votos dos hispânicos em 1990, enquanto os porto-riquenhos representam 29%, segundo dados das autoridades eleitorais da Flórida.

A outra grande diferença nas eleições de terça-feira está no aumento do número de democratas registrados, graças ao esforço da campanha de Obama para aumentar a filiação partidária e a participação no pleito.

De acordo com números do Centro Hispânico Pew, há mais eleitores hispânicos registrados este ano no Partido Democrata (513.252) que no Partido Republicano (445.526) na Flórida.

Da mesma forma, a vantagem democrata na afiliação de todos os eleitores inscritos supera os republicanos em 650 mil, mais do que o dobro de quatro anos atrás. O número total de eleitores registrados na Flórida é de 11,2 milhões.

Com a mobilização nos últimos dias de campanha do ex-presidente Bill Clinton, do ex-vice-presidente Al Gore e da própria Hillary, o objetivo da campanha de Obama é promover ao máximo a participação eleitoral.

Até o momento, a participação nas votações antecipadas superou todas as previsões, e tanto democratas quanto republicanos reconhecem que estas podem ser as eleições com maior índice de participação em todo o país.

"Até o momento no condado de Miami-Dade, 30% dos eleitores registrados votaram, o que constitui um recorde", disse à Agência Efe a subdiretora de operações eleitorais no sul da Flórida, Rossy Pastrana.

A votação antecipada termina amanhã, e Pastrana calcula que dos 1,2 milhão de eleitores de Miami-Dade, 400 mil depositarão seu voto e outros 200 mil serão enviados por correio.

"São eleições nas quais todo mundo está muito animado e com vontade de votar", o que se traduziu em filas de até quatro horas, acrescentou Pastrana.

Os índices de participação na votação antecipada em toda a Flórida são similares, já que até quinta-feira 3,4 milhões de pessoas tinham votado, segundo pesquisa divulgada hoje pelo jornal "The Miami Herald".

Desses eleitores, 46% eram democratas; 38%, republicanos; e os demais, independentes.

A pesquisa do "Miami Herald" também reflete uma forte participação do eleitorado negro, que representa 13% dos votos na Flórida, e dos jovens.

Embora as pesquisas não reflitam diretamente, a questão racial está muito presente na Flórida, principalmente entre o voto hispânico.

Enquanto os cubanos tendem a manifestar abertamente sua rejeição a votar em um candidato negro, porto-riquenhos, colombianos e venezuelanos minimizam a importância do assunto racial nestas eleições, nas quais a maior preocupação é a situação economica.

Com isso, a questão das relações com Cuba acabou ficando relegada a um segundo plano.

"São as primeiras eleições em que muitos cubano-americanos não consideram Cuba como o primeiro ponto, especialmente as gerações mais jovens", disse à Efe o vice-reitor do Instituto para Estudos Cubanos da Universidade de Miami, Andy Gómez.

As últimas pesquisas divulgadas hoje dão ligeira vantagem a Obama de 3,5 e 4 pontos percentuais na Flórida, mas dentro da margem de erro, por isso a diferença no resultado final deve ser mínima. EFE esc/wr/rr

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