McCain diz que só dialogará com Cuba se houver eleições livres

Teresa Bouza Washington, 29 abr (EFE).- O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, afirmou à Agência Efe que, se for eleito, só estabelecerá diálogo com Cuba se houver eleições livres e disse que estimulará o livre-comércio para diminuir o anti-americanismo na região.

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McCain descartou a possibilidade de iniciar um diálogo com o Governo do presidente cubano Raúl Castro, se o país entrar em processo de reformas econômicas similares às de China e Vietnã, dois regimes comunistas com os quais os EUA mantêm relações.

"Iniciarei um diálogo depois que houver eleições livres, os presos políticos forem libertados e as organizações não-governamentais humanitárias existirem e puderem trabalhar", disse o senador pelo estado do Arizona.

"Cuba é um Estado patrocinador do terrorismo e me preocupa que qualquer sistema que não cumpra esses requisitos possa sustentar o regime de (Raúl) Castro (...) e permitir que a opressão ao povo cubano continue", destacou.

McCain, que expressou sua preocupação durante os últimos anos com o crescente anti-americanismo na América Latina, afirmou que o antídoto contra essa tendência é o "livre-comércio".

O candidato republicano à Casa Branca disse que a maioria dos problemas da região está relacionada à "falta de progresso econômico" e acrescentou que o livre-comércio é a melhor forma de conseguir esse difícil desenvolvimento".

"Um dos motivos que levaram alguns movimentos populistas ao poder na América Latina é a frustração das pessoas com a economia", declarou.

McCain expressou seu interesse em conseguir "algum dia" um acordo de livre-comércio para todo o continente.

Nessa linha, o candidato republicano se mostrou partidário do Tratado de Livre-Comércio (TLC) com a Colômbia, assinado em novembro de 2006 e pendente de ratificação pelo Congresso americano.

Os democratas, que controlam o Congresso, bloquearam a votação até que a Colômbia comprove mais conquistas na luta contra a violência que afeta os sindicalistas do país e sejam aprovadas medidas para proteger os trabalhadores americanos dos efeitos negativos da globalização.

"É vergonhoso que os democratas tenham bloqueado a aprovação do acordo", declarou McCain, que disse esperar que os eleitores rejeitem, nas eleições de 4 de novembro, "o protecionismo e o isolacionismo" dos democratas.

O candidato republicano afirmou desejar o aumento da cooperação com os parceiros europeus na luta contra o radicalismo islâmico e o problema da mudança climática.

Se vencer as eleições de 2008, McCain, de 71 anos, se tornaria o presidente mais velho a chegar à Casa Branca e, por isso, disse que seus adversários democratas, Barack Obama e Hillary Clinton, têm "pouca experiência e não entendem os desafios" que o país enfrenta.

McCain afirmou que o maior desses desafios é a situação econômica, fator que, segundo ele, será "decisivo" em novembro, seguido pela segurança nacional.

"Nossa economia enfrenta grandes dificuldades e precisamos solucioná-las, e eu as solucionarei" sem recorrer a uma grande intervenção governamental, explicou.

McCain, que segundo os analistas iniciou um progressivo afastamento do impopular Governo do presidente americano, George W.

Bush, acusou a Casa Branca de ter tido as despesas "fora do controle" durante os últimos anos, e que isso prejudicou "seriamente" a economia.

O candidato republicano também reiterou seu compromisso com uma reforma migratória total nos EUA, mas disse que a prioridade deve ser a proteção das fronteiras. Em seguida, deve-se buscar um caminho para legalizar os cerca de 12 milhões de imigrantes ilegais, muitos deles latino-americanos, que moram no país.

"Fracassamos na hora de fazer uma reforma integral porque os americanos querem primeiramente segurança nas fronteiras", destacou McCain, para quem, uma vez solucionado o problema, se poderá avançar no projeto de programas de trabalho temporário e na solução da questão dos imigrantes ilegais. EFE tb/wr/plc

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