McCain critica arrecadação de fundos para campanha de Obama

Washington, 19 out (EFE).- O candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, John McCain, criticou hoje seu adversário Barack Obama por arrecadar dinheiro de doadores particulares, algo que, segundo ele, poderia levar em um futuro a outro escândalo parecido ao de Watergate.

EFE |

O candidato democrata anunciou hoje que arrecadou US$ 150 milhões em setembro de doadores particulares, "o que rompe todo o conceito que se tinha após Watergate", declarou McCain em entrevista durante o programa "Fox News Sunday".

Obama é o primeiro candidato presidencial que abandonou o financiamento público para as eleições gerais desde que se criou este sistema, em 1976, após o escândalo de Watergate.

Segundo este sistema, os candidatos se comprometem a gastar apenas os fundos públicos, e não podem obter dinheiro através de contribuições particulares.

McCain, que optou por este sistema, tem à sua disposição apenas US$ 84 milhões em fundos públicos, enquanto Obama pode gastar um valor ilimitado de dinheiro.

O escândalo de Watergate explodiu em junho de 1972, quando cinco homens, que buscavam informação confidencial para conseguir a vitória republicana e reeleger Richard Nixon, foram detidos na sede do Comitê Nacional Democrata.

"A história nos mostra que (...) quantidades ilimitadas de dinheiro em campanhas políticas" levam "a um escândalo", afirmou o senador pelo Arizona.

McCain afirmou que o senador por Illinois "não disse a verdade" quando prometeu usar os fundos públicos.

"Não cumpriu sua palavra", acrescentou.

O senador republicano reconheceu que Obama não está fazendo nada de ilegal ao aceitar fundos particulares, mas explicou que fica preocupado com a possibilidade de a decisão do democrata servir de precedente para futuras eleições.

"O dique se rompeu. Veremos agora grandes quantidades de dinheiro fluindo para as campanhas políticas e sabemos pela história que isto sempre provoca escândalos", afirmou McCain.

Perguntado se Obama está comprando as eleições como o porta-voz de McCain tinha sugerido, o candidato republicano disse que é possível "fazer esta alegação".

O comitê de campanha de McCain argumenta que as arrecadações de Obama não são transparentes, pois somente as doações individuais que superam os US$ 200 têm que ser declaradas ao Comitê Federal Eleitoral (FEC).

No início de outubro, o Comitê Nacional Republicano apresentou uma queixa formal perante o FEC na qual alegava que o candidato democrata aceita contribuições ilegais e doações de estrangeiros.

Os republicanos pediram à FEC que faça uma auditoria de todas as contribuições que Obama recebeu, até daquelas que o comitê de campanha não tem que declarar por lei.

O Comitê Republicano também solicitou à FEC que investigue se a campanha de Obama falhou em seu dever de renunciar às contribuições que excedem os limites fixados pela lei.

A lei federal proíbe contribuições de estrangeiros e as doações individuais estão limitadas a US$ 2.300 por cada ciclo eleitoral.

EFE cae/ab/fal

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