McCain buscará se afastar de Bush na Convenção Republicana

César Muñoz Acebes. Washington, 30 ago (EFE) - Uma convenção é tida como uma festa de um partido, mas na republicana, que começa na segunda-feira, um objetivo primordial de John McCain será se distanciar do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e do aparelho partidário em Washington.

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No primeiro dia de reunião em Minneapolis e Saint Paul falarão o vice-presidente, Dick Cheney, a primeira-dama, Laura Bush, e o próprio presidente Bush, mas esse será o fim da participação de membros do atual Governo.

Com a popularidade do chefe de Estado no chão, os democratas perceberam uma brecha na campanha de McCain e, na convenção do partido, que terminou na quinta-feira, descreveram até não poder mais uma eventual vitória de McCain como um terceiro mandato de Bush.

Por isso, a campanha do senador republicano "tem que criar separação" frente a Bush, afirmou Darrell West, vice-presidente da Instituição Brookings, um centro de estudos.

McCain já começou a fazer isso com a escolha, na sexta-feira, de Sarah Palin, governadora do Alasca, como vice-presidente.

Palin, de apenas 44 anos, não tem ligação com o círculo de Bush e concorreu às primárias do Partido Republicano para ser governadora, apesar da rejeição dos chefes republicanos do Alasca.

"Este é um momento no qual os princípios e a independência política importam muito mais que simplesmente a linha de partido", disse a governadora na sexta-feira em Dayton (Ohio), onde foi feita sua apresentação oficial como candidata à Vice-Presidência.

Ao mesmo tempo, na convenção os republicanos usarão a atenção total da mídia e os discursos em horário de máxima audiência para atacar os adversários democratas, segundo os analistas.

"Provavelmente, veremos um montão de comentários negativos sobre Obama. Desacreditarão o candidato democrata", disse Stephen Greene, professor de ciências políticas da Universidade Estadual da Carolina do Norte.

De acordo com West, "a convenção refletirá o que seus anúncios republicanos fizeram recentemente: atacar Obama por sua falta de experiência e por valores que não são convencionais", ao tachá-lo de um elitista afastado do dia-a-dia da classe média.

No entanto, para alguns analistas, os ataques contra Obama não são um sinal de força, e sim escondem uma fraqueza de McCain: sua falta de apoio na direita religiosa, que é um bloco-chave da base republicana.

Nas primárias, já ficou comprovado que os evangélicos americanos não se identificam com o senador do Arizona, pois apoiaram majoritariamente o adversário na luta pela candidatura republicana Mike Huckabee, ex-governador de Arkansas e ex-pastor batista.

Perante as divisões do partido, McCain optou por apontar um inimigo comum contra o qual lançar juntos os dardos.

"McCain motiva os evangélicos ao criticar Obama", disse John Fortier, um analista do Instituto de Empresa Americana, um centro conservador.

Os grupos conservadores receberam bem o nome de Palin, pois, apesar de ser uma desconhecida na política nacional, é uma ardente crítica ao aborto.

Mesmo assim, os analistas vêem menos entusiasmo nas fileiras republicanas que nas democratas. Sintomático é o número de presentes calculados para ambas as convenções: 45 mil à republicana e mais de 80 mil à democrata.

Trata-se de um ano difícil para os republicanos, devido ao cansaço tradicional após oito anos do Governo de um mesmo partido, aos problemas econômicos e à rejeição a Bush, que acaba prejudicando o partido.

Por isso, a equipe de McCain tentará pintar o senador como um homem independente que defendeu suas idéias sem se importar em se opor às regras da legenda, ao pedir medidas firmes contra a mudança climática, por exemplo.

Essa veia dissidente torna-o um candidato republicano pouco convencional.

Para vencer as primárias, McCain se movimentou rumo às posições da base conservadora republicana em imigração - deixou de pedir a regularização dos imigrantes ilegais e passou a propor blindar primeiro a fronteira.

Além disso, deu um giro também em política tributária, defendendo agora as reduções de impostos temporários aprovadas com Bush, ao que tinha se oposto anteriormente.

Mas, mesmo assim, a última minuta do programa do partido que será aprovada na convenção não coincide com algumas de suas propostas eleitorais.

Para alguém que quer se afastar de tudo o que cheire a Bush e a seus aliados no Congresso, a divergência pode ser algo bom para o eleitorado geral. EFE cma/db

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