McCain ataca Obama por economia e inexperiência

Por Jeff Mason MIAMI (Reuters) - O candidato republicano John McCain questionou na quarta-feira o preparo de seu rival Barack Obama para assumir a Casa Branca, enquanto o democrata vai à TV em horário nobre como parte do esforço final da campanha eleitoral.

Reuters |

McCain iniciou uma viagem pela Flórida, um Estado eleitoralmente essencial, alertando que um controle simultâneo dos democratas sobre a Casa Branca e o Congresso seria ruim para as pequenas empresas e os trabalhadores.

"A resposta para uma economia em desaceleração não é impostos mais altos, mas isso é exatamente o que vai acontecer quando os democratas tiverem controle total de Washington. Não podemos deixar que isso ocorra", disse McCain em comício na Flórida, a seis dias da eleição.

Criticando as propostas de Obama para aumentar o imposto de renda para quem ganha mais de 250 mil dólares por ano, McCain chamou seu rival de "redistribuidor-em-chefe."

"O senador Obama está concorrendo para espalhar a riqueza. Eu estou concorrendo para criar mais riqueza. O senador Obama está concorrendo para punir os bem-sucedidos. Eu estou concorrendo para deixar todos bem-sucedidos", disse McCain.

Obama, que propõe redução de impostos para trabalhadores de baixa e média renda, disse que as propostas econômicas de McCain seriam ruins para a classe média, pois representariam uma continuidade do governo de George W. Bush.

"Ele está gastando esses últimos dias me chamando de tudo quanto é nome. Lamento ver meu adversário afundar tão baixo", disse Obama em comentários preparados para serem lidos em Raleigh, na Carolina do Norte.

"Então vamos deixar de lado os anúncios negativos e os ataques difamantes -- sob John McCain, a classe média assistirá à riqueza ser favorecida em detrimento do trabalho; empregos serem levados para o exterior; e o custo da saúde e da faculdade ir parar no telhado", afirmou.

McCain está atrás de Obama nas pesquisas nacionais de voto e tem dificuldades também em cerca de 12 Estados vencidos por Bush em 2004 -- o que inclui a Flórida, com seus 27 votos no Colégio Eleitoral.

Pesquisa Reuters/C-SPAN/Zogby na quarta-feira mostra Obama 5 pontos percentuais à frente de McCain em nível nacional. A atual safra de pesquisas dá ao democrata vantagens de 2 a 15 pontos.

FLÓRIDA ESSENCIAL

Mas, pelo sistema eleitoral norte-americano, não basta receber mais votos. O importante é obter 270 votos no Colégio Eleitoral -- em cada Estado (exceto Maine e Nebraska), o vencedor leva todos os delegados.

Sozinha, a Flórida representa 10 por cento de todos os votos necessários no Colégio Eleitoral. "Precisamos ganhar na Flórida", disse McCain em Miami.

As pesquisas mostram um empate ou uma ligeira vantagem de Obama no Estado, que em 2000 decidiu a eleição presidencial numa polêmica recontagem.

Obama também pretende visitar a Flórida na noite de quarta-feira, onde fará sua primeira aparição da campanha ao lado do ex-presidente Bill Clinton, num comício em Orlando.

Antes, aparecerá falando de economia num caríssimo comercial de 30 minutos em horário nobre, num espaço comprado nas redes CBS, NBC e Fox graças aos inéditos níveis de arrecadação da campanha democrata.

O comercial custará cerca de 1 milhão de dólares em cada uma das redes. Ele coincide com o aniversário da "Terça-Feira Negra", a grande queda na Bolsa de Nova York que deu início à Grande Depressão, em 1929.

Na terça-feira, o índice industrial Dow Jones teve alta de quase 900 pontos, e o pregão de quarta-feira abriu com uma ligeira alta.

A ascensão de Obama nas pesquisas coincide com o agravamento da crise financeira nos EUA, refletindo o fato de que o eleitorado o considera mais preparado do que McCain em questões econômicas.

McCain tenta provar que Obama, senador em primeiro mandato, ainda é inexperiente demais para governar. Na quarta-feira, os republicanos lançaram outro anúncio batendo nessa tecla.

"Por trás dos bonitos discursos, das promessas grandiosas e dos especiais de TV está a verdade - com crises internas e externas, e Barack Obama carece da experiência de que a América precisa", diz o narrador.

McCain também repetiu seu apelo para que o Los Angeles Times divulgue um vídeo de um banquete, em 2003, onde Obama falou de sua amizade com o acadêmico e ativista palestino Rashid Khalidi. No evento também estava presente William Ayers, ex-militante esquerdista da década de 1960, que anos depois atuou junto com Obama na direção de uma ONG.

O LA Times citou a gravação em abril de 2008, mas disse que não pode divulgá-la devido a um compromisso assumido junto à fonte que entregou o material.

"Por que isso não pode vir a público é algo que me escapa. Garanto a vocês que se houvesse uma gravação comigo e com Sarah Palin (sua candidata a vice) e algum neonazista ou um desses, vocês acham que a gravação não viria a público?", disse McCain a uma rádio.

Num comício em Ohio, Palin disse que os norte-americanos não devem se esquecer da luta pela independência energética só porque o preço do barril de petróleo caiu abaixo de 70 dólares.

"Embora essa repentina queda nos preços realmente faça diferença para as famílias de toda a América, os perigos da nossa dependência em relação ao petróleo estrangeiro continuam aí como antes", declarou ela na cidade de Toledo.

(Reportagem adicional de Caren Bohan)

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