McCain abre vantagem de 5 pontos sobre Obama, diz pesquisa

WASHINGTON - Em uma grande reviravolta, o republicano John McCain abriu 5 pontos de vantagem sobre o democrata Barack Obama na corrida pela Presidência dos Estados Unidos e passou a ser visto como o melhor nome para administrar a economia do país, revelou uma pesquisa Reuters/Zogby divulgada na quarta-feira.

Reuters |

McCain está à frente de Obama com 46 por cento das intenções de voto (contra 41 para o adversário), apagando a sólida vantagem de 7 pontos registrada pelo democrata em julho e assumindo, pela primeira vez, a liderança em uma pesquisa mensal Reuters/Zogby.

A virada ocorre depois de um mês marcado por ataques lançados por McCain, que questionou a experiência de Obama, criticou o fato de o democrata opor-se à extração de petróleo em novas plataformas marítimas e ridicularizou a recente viagem dele ao exterior.

A pesquisa foi feita entre quinta-feira e sábado, período durante o qual Obama concluía uma semana de folga no Havaí, cedendo os holofotes para McCain, que se valeu da invasão da Geórgia pela Rússia para dar destaque a seus planos de política externa.

'Não há dúvida de que a campanha para abalar a imagem de Obama está pagando dividendos para McCain neste momento', afirmou o especialista em pesquisas John Zogby. 'Isso representa um revés significativo para Obama.'

McCain, atualmente, registra uma vantagem de 9 pontos percentuais (49 por cento contra 40 por cento) quando se trata de saber quem seria o melhor nome para comandar a economia norte-americana -- uma questão que quase metade dos eleitores disse ser sua maior preocupação para as eleições presidenciais de 4 de novembro.

Essa margem reverte a liderança de 4 pontos de Obama registrada no mês passado sobre o mesmo assunto. McCain, senador pelo Arizona e ex-prisioneiro de guerra no Vietnã, admitiu não ser muito versado em assuntos econômicos e mostrou-se mais interessado em assuntos de política externa e de planejamento militar.

O republicano partiu para o ataque contra o democrata no último mês, valendo-se da preocupação dos norte-americanos com a alta dos combustíveis. Pesquisas mostram que a maioria dos eleitores concorda com os planos dele de ampliar a extração de petróleo em plataformas marítimas neste momento em que a gasolina chega, nos EUA, a 4 dólares o galão (3,78 litros).

Obama criticou a alternativa, mas disse recentemente que concordaria com uma expansão limitada como parte de um amplo programa energético.

Essa representa uma das várias mudanças de postura realizadas nos últimos tempos pelo democrata. Mas Zogby disse que essa estratégia pode ter prejudicado Obama, particularmente entre os democratas e entre os que se consideram liberais.

'Essa pequena diferença entre nuance e o que soa como virar a casaca está prejudicando o candidato junto ao eleitorado liberal', afirmou Zogby.

O apoio a Obama entre os democratas caiu 9 pontos percentuais neste mês, para 74 por cento, ao passo que o apoio a McCain entre os republicanos ficou em 81 por cento.

Entre os liberais, o apoio ao democrata caiu 12 pontos percentuais, enquanto os liberais ainda indecisos somam 10 por cento. Os conservadores indecisos são 9 por cento.

Obama precisa fazer trabalho de base

'Supunha-se que os conservadores seriam o maior problema de McCain', disse Zogby. 'Obama ainda precisa trabalhar com a sua base. Neste momento, McCain parece estar realizando um trabalho melhor com a base dele.'

A queda no apoio a Obama, que pode se transformar no primeiro presidente negro dos EUA, aconteceu em vários grupos demográficos e ideológicos. A popularidade dele diminuiu entre os católicos, mulheres, independentes e jovens. Ele continua a ter o apoio de mais de 90 por cento dos negros.

'Não houve nenhuma reviravolta drástica. Não há nenhum grupo radicalmente diferente hoje do que há um ou dois meses.

Trata-se apenas de uma constante queda sofrida por Obama em vários grupos', afirmou Zogby.

O apoio a Obama entre os eleitores com 18 a 29 anos de idade, um de seus pontos fortes, caiu 12 pontos percentuais, para 52 por cento. McCain, que completará 72 anos na próxima semana, recebeu 40 por cento dos votos dos eleitores jovens.

'Esses não são os números de que Obama precisa para ganhar', disse Zogby a respeito dos norte-americanos com menos de 30 anos de idade.

O democrata, 47 anos, continua saindo-se bem entre os jovens, um bloco fundamental para sua vitória contra a senadora Hillary Clinton durante as prévias do Partido Democrata.

Os esforços do candidato independente Ralph Nader e do candidato do Partido Libertário, Bob Barr, para colocar seus nomes nas cédulas a serem usadas em cada Estado parecem fazer pouca diferença.

McCain ainda mantém uma vantagem de 5 pontos percentuais sobre Obama (44 por cento contra 39) quando todos os quatro nomes passam a fazer parte da disputa. Barr recebia 3 por cento dos votos e Nader, 2 por cento.

A maior parte das pesquisas nacionais atribuia uma vantagem apertada para Obama contra McCain durante o verão (junho a agosto nos EUA).

Na pesquisa Reuters/Zogby, Obama registrou uma vantagem de 5 pontos em junho, pouco depois de ter conquistado a vaga de seu partido, e de 8 pontos sobre McCain em maio.

A enquete feita por telefone com 1.089 pessoas aptas a votar possui uma margem de erro de 3 pontos percentuais.

A pesquisa ocorreu no momento em que os dois candidatos preparam-se para as convenções de seus partidos nas quais oficializarão suas candidaturas e anunciarão seus vice-presidentes.

A convenção democrata começa na segunda-feira, em Denver, e a republicana inicia-se na outra segunda-feira, 1 de setembro, em St. Paul (Minnesota).

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