Johanesburgo, 29 jul (EFE).- O presidente da África do Sul, Thabo Mbeki, admitiu hoje que as negociações entre o partido governamental e a oposição do Zimbábue, nas atua como mediador, estão suspensas temporariamente, mas não bloqueadas, e afirmou que se desenvolvem muito bem.

"Os negociadores estão negociando, se reuniram durante vários dias e continuarão fazendo isso. As conversas estão muito bem", disse Mbeki, durante uma entrevista coletiva em Pretória, ao final de uma reunião com o presidente egípcio, Hosni Mubarak.

Mbeki respondeu às alegações do opositor Movimento para a Mudança Democrática (MDC) de que as conversas na África do Sul com a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (Zanu-PF) estão bloqueadas, devido à intransigência do partido governamental zimbabuano.

O porta-voz oficial do MDC, Nelson Chamisa, disse à Agência Efe, em Harare, que "o partido não participa mais das conversas", nas quais a Zanu-PF pretende relegar o líder da oposição, Morgan Tsvangirai, ao posto de terceiro vice-presidente.

No entanto, Mbeki disse que as conversas só foram "suspensas" para permitir que as equipes de negociação consultem seus respectivos líderes.

"As negociações não concluíram, serão suspensas por alguns poucos dias, porque (as equipes) querem retornar a Harare para consultas com seus principais líderes sobre o que foi discutido até agora, mas retornarão no final da semana e retomarão suas reuniões", afirmou o chefe de Estado sul-africano.

Tsvangirai, que chegou nesta segunda-feira à África do Sul, disse à imprensa local que as conversas estão em "ponto morto, pois o Governo (do presidente zimbabuano, Robert Mugabe) não respeita a vontade do povo".

O MDC exige que Tsvangirai, que ganhou o primeiro turno das eleições presidenciais, em 29 de março, lidere o eventual Governo de união nacional que surgir das negociações com a Zanu-PF.

As conversas, que acontecem em um lugar não revelado e sob embargo à imprensa, começaram na semana passada, após a assinatura de um memorando de entendimento entre a Zanu-PF e o MDC para negociar a formação de um Governo de unidade, no qual os opositores, que dominam o Parlamento eleito em março e ainda não convocado por Mugabe, esperam uma presença destacada. EFE jm/an

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