Os militares da Mauritânia deram um golpe de Estado nesta quarta-feira e prenderam o presidente Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi e o primeiro-ministro Yahya Uld Ahmed Waghf, informaram fontes oficiais.

AP
Presidente da Mauritânia, em foto de arquivo
Presidente da Mauritânia,
em foto de arquivo
Abdalahi, primeiro presidente eleito democraticamente na Mauritânia, em março de 2007, desde a independência em 1960, foi levado para o edifício da Guarda Presidencial. Seu chefe de governo está em um quartel perto da sede da presidência.


A rádio e a televisão nacionais saíram do ar pouco antes do anúncio do golpe. De acordo com testemunhas, as instalações dos meios de comunicação foram desalojadas pelas tropas.

Os militares iniciaram o golpe depois de um decreto presidencial que exonerou alguns militares de alta patente no país. Os militares efetuaram a prisão do presidente apó o decreto ter sido lido em rede nacional de televisão.

A Mauritânia enfrentava nos últimos dias uma crise política, depois de um voto de desconfiança de parlamentares contra o gabinete de governo. Na segunda-feira, 48 parlamentares abandonaram o partido governista.

Abdallahi, de 68 anos, é economista e ex-ministro. Ele foi eleito neste ano ao vencer, no segundo turno, o veterano ícone da oposição, Ahmed Ould Daddah, de 64 anos.

A eleição de Abdallahi marcou o fim do regime militar iniciado por um golpe em 2005. A Mauritânia, ex-colônia francesa, independente desde 1960, sofreu durante décadas com a corrupção, golpes e regimes autoritários.

"Golpe puro e duro"

A filha do presidente mauritano, Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi, confirmou por telefone à rádio francesa "Radio France International" ("RFI") que seu pai está detido no edifício da Guarda Presidencial.

Amal Mint Cheikh Abdallahi, filha do presidente, disse que é "um golpe de Estado puro e duro".

"Não podemos sair do palácio presidencial. O posto telefônico foi cortado, o que quer dizer que não podemos iniciar comunicações", afirma Amal, segundo a gravação divulgada pela "RFI" em seu site. A emissora não explica como estabeleceu o contato.

Pouco antes de sua detenção, esta manhã, o presidente mauritano tinha destituído todos os responsáveis militares do país, segundo a emissora francesa.


MIlitares da Mauritânia fazem patrulha na capital / AFP


História conturbada

A Mauriânia, localizada na África Ocidental, é uma ex-colônia francesa que conseguiu sua independência em 1960. O país de 3,3 milhões de habitantes sofreu o primeiro golpe em 1984 e foi governado com mão de ferro por Maaouya Ould Sid Ahmed Taya, até ser deposto numa insurreição em agosto de 2005.

Uma junta militar foi empossada e supervisionou o processo de transição democrática que culminou na eleição de Sidi Ould Cheikh Abdallah em abril de 2007.

O país muçulmano ainda convive com tensões raciais e metade da população ainda depende de atividades relacionadas à agricultura e criação de gado, apesar da ricas jazidas de minério de ferro, que respondem por 40% das exportações.

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Mapa da Mauritânia

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