Maaruf Ould Udaa. Nuakchott, 20 dez (EFE).- O ano de 2009 na Mauritânia ficará marcado pela vitória eleitoral do general Mohammed Ould Abdelaziz, autor do golpe de Estado de 2008, e pelo aumento da atividade terrorista.

A crise política na Mauritânia chegou ao fim com a assinatura do Acordo de Dacar, em 4 de junho, com a mediação do presidente senegalês, Abdoulaye Wade, e a aprovação da comunidade internacional.

O pacto foi assinado pelos principais atores da cena política local: os seguidores de Abdelaziz, o Agrupamento de Forças Democráticas (RFD) e a Frente Nacional de Defesa da Democracia (FNDD), uma coalizão de partidos de oposição aos golpistas.

A principal medida do Acordo de Dacar foi marcar eleições para 18 de julho, adiando o pleito originalmente programado unilateralmente por Abdelaziz para 6 de junho.

Para poder se candidatar, o então chefe da Junta Militar no poder renunciou a seu cargo 40 dias antes das eleições, como dita a Constituição mauritana, e a chefia de Estado provisória ficou nas mãos do presidente do Senado, Ba Mamadou M'Baré.

Um Governo transitório de coalizão se encarregou de preparar o pleito e a Comissão Eleitoral Nacional Independente velou pela limpeza das eleições, o que foi referendado por observadores internacionais.

Não houve necessidade de segundo turno, já que Abdelaziz recebeu 52,58% dos votos logo na primeira etapa, seguido pelo presidente da Assembleia Nacional, Mesaud Ould Buljeir (16,29%), e pelo líder do RFD, Ahmed Ould Dadah (13,66%).

Apesar dos protestos que apontavam para uma suposta fraude, o Conselho Constitucional validou o resultado, assim como diversos Governos ocidentais.

Se a parte política ficou resolvida, a ameaça terrorista foi mais forte do que nunca na Mauritânia ao longo de 2009.

Em junho, um voluntário americano foi assassinado; em agosto, a Embaixada francesa foi alvo de um atentado suicida; e já no final de novembro, três voluntários espanhóis foram sequestrados.

O sequestro é a primeira ação com estas características que acontece em solo mauritano, tradicionalmente usado como base de treinamento para extremistas.

Albert Vilalta, Alicia Gámez e Roque Pascual foram capturados por um grupo de homens armados quando trafegavam em um veículo 4x4 dentro da caravana organizada por uma ONG espanhola pela estrada que liga Nouadhibou, a maior cidade do norte da Mauritânia, à capital do país, Nuakchott.

Após alguns dias de informações contraditórias e confusão sobre o paradeiro do trio, o canal de televisão catariano "Al Jazira" divulgou uma gravação na qual um porta-voz da organização Al Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) reivindicava a autoria do sequestro.

Segundo a AQMI, os "mujahedins" (combatentes radicais islâmicos) que cometeram o sequestro estão em "suas bases de segurança", em uma região não especificada.

O comunicado diz que o grupo terrorista divulgará mais adiante aos Governos de Espanha e França "as legítimas reivindicações dos 'mujahedins".

O próprio Abdelaziz reconheceu em sua primeira intervenção pública após o sequestro que "a corrupção e a falta de meios" facilitaram o sequestro dos voluntários espanhóis, mas atribuiu estes problemas a "um cúmulo de deficiências herdadas do passado".

Para o presidente mauritano, o Exército estava "minado pela corrupção e as forças de segurança não dispunham do equipamento nem da motivação necessárias" para agir.

Uma das primeiras decisões adotadas por Abdelaziz nos dias posteriores ao sequestro foi a destituição do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Ahmed Bekrine.

No entanto, o ano se encerra sem novidades sobre o paradeiro dos reféns e com a forte suspeita de que teriam sido levados para algum país vizinho à Mauritânia. EFE mo-er/bba

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