Mauritânia inicia grande assembléia em busca de determinar eleições

Nuakchott, 27 dez (EFE).- Os Estados Gerais da Mauritânia, uma grande assembléia convocada pela Junta Militar para devolver a ordem constitucional, começaram hoje, em Nuakchott, com o compromisso de determinar a data para as eleições presidenciais.

EFE |

Sob fortes medidas de segurança, cerca de 900 pessoas se reuniram no centro de congressos internacional da capital para tentar encontrar uma saída para a crise gerada pelo golpe de Estado de 6 de agosto, que depôs o presidente Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi.

Após um minuto de silêncio pelas vítimas palestinas do bombardeio israelense desta manhã contra a Faixa de Gaza, o presidente da Junta Militar mauritana, Mohammed Ould Abdelaziz, tomou a palavra para renovar sua promessa de respeitar os acordos alcançados na assembléia.

Abdelaziz pediu aos participantes para definir a duração da transição e estabelecer um calendário para as eleições presidenciais.

Além disso, alertou sobre os erros do passado e pediu mais equilíbrio entre as instituições constitucionais, em referência ao Parlamento e a Presidência do país.

Uma das causas invocadas pelos generais para seu golpe de Estado de 6 de agosto foi a excessiva concentração de poder nas mãos do presidente, que até o levante era Sidi Mohammed Ould Cheikh Abdallahi.

Abdelaziz convidou a todos os presentes a refletir sobre um mecanismo que permita evitar "qualquer bloqueio ou desvio" das instituições constitucionais.

Segundo a "Agência Mauritana de Informação" ("AMI"), cerca de 900 pessoas procedentes de 26 países participam desta assembléia, que deve terminar em 5 de janeiro.

Os Estados Gerais são supervisionados por um comitê de 11 membros, entre eles ministros, parlamentares e prefeitos.

No entanto, esta assembléia conta com a relevante ausência do deposto presidente Abdallahi, que foi libertado pelos militares no domingo passado, e de seus partidários da Frente Nacional para a Democracia e o Desenvolvimento (FNDD), que não reconhecem a autoridade dos generais golpistas para convocar os Estados Gerais.

Na quarta-feira passada, Abdelaziz prometeu que a assembléia só teria presença civil, e que os militares se absteriam de participar.

Segundo o primeiro-ministro designado pelos golpistas, Moulay Ould Mohammed Leghdaf, foram convidados aos Estados Gerais os atores políticos e as forças vivas do país, para alcançar "soluções pactuadas para a crise no prazo mais curto".

Estas palavras não convenceram Abdallahi nem o FNDD a participar dos trabalhos, já que estes consideram que a assembléia legitima a política de "fatos consumados" por parte da Junta.

O golpe de Estado teve como conseqüências a suspensão da Mauritânia na União Africana e o bloqueio da ajuda externa a este país.

No entanto, após a libertação de Abdallahi, a realização dos Estados Gerais contou com o sinal verde de países como França, Alemanha e Espanha.

Apesar de tudo, em paralelo à realização desta assembléia, continuam os movimentos dos partidários do golpe para isolar os cada vez mais minoritários defensores de Abdallahi, como ficou evidente na noite passada no Parlamento mauritano.

Os deputados da maioria pró-golpista aprovaram em plenário revisar e emendar seu regulamento interno para preparar o caminho para a destituição do presidente da Assembléia Nacional, Messaoud Ould Boulkheir, um dos mais firmes aliados de Abdallahi.

Boulkheir boicota há quatro meses as sessões parlamentares, em protesto contra a situação no país. EFE moo-er/an

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