San Salvador, 15 mar (EFE).- O jornalista Mauricio Funes se tornou neste domingo no protagonista de uma notícia histórica para El Salvador, ao conquistar o poder para a esquerda pela primeira vez em seu país, como candidato do ex-guerrilheiro Frente Farabundo Martí para a Libertação Nacional (FMLN).

Funes, um dos comunicadores mais influentes no país, deixou sua profissão para se transformar em político, carreira que o levou a ser presidente eleito.

Carlos Mauricio Funes Cartagena nasceu em San Salvador no dia 18 de outubro de 1959 e durante mais de 20 anos se dedicou ao jornalismo com uma grande popularidade, principalmente por seus fortes críticas a diversos setores e especialmente ao Governo.

Com seu triunfo, o FMLN, que entre 1980 e 1992 travou uma guerra com o Governo, chega pela primeira vez ao poder e coloca fim a 20 anos de hegemonia da direitista Aliança Republicana Nacionalista (Arena), que concorreu nestas eleições com Rodrigo Ávila.

Funes cultivou durante sua campanha uma grande aceitação entre os eleitores de diversas camadas sociais por sua reconhecida carreira na televisão local e por seu nulo passado guerrilheiro, o que atraiu o voto dos indecisos e, inclusive, de antigos simpatizantes da Arena.

O presidente eleito é casado pela terceira vez, com a brasileira Vanda Pignato, representante do PT na América Central.

De média estatura e caráter ferrenho, Funes em algumas ocasiões foi tachado de "arrogante" por seus opositores, embora geralmente se mostre como um homem simpático que até é qualificado como "atraente" pelo setor feminino da população.

Funes foi ratificado como candidato do FMLN em 11 de novembro de 2007, data em que faziam 18 anos da última ofensiva lançada pela ex-guerrilha, e desde esse dia todas as enquetes o situaram na frente das preferências eleitorais.

No entanto, algumas pesquisas davam uma leve vantagem a Ávila, por isso que os dias prévios à votação se caracterizaram por um clima de incerteza e tensão, devido ao acirramento esperado do processo.

Funes cursou seus estudos básicos e universitários com os jesuítas, embora não tenha conseguido concluir a carreira de Licenciatura em Letras na Universidade Centro-Americana José Simeón Cañas (UCA).

Entre 1986 e 1991 trabalhou na televisão local, mas depois se incorporou à UCA para trabalhar na instalação de um centro de audiovisuais. Após alguns meses retornou ao "Canal 12", onde chegou, em 1997, a ser diretor de notícias e dirigir programas de grande audiência, caracterizados por ser muito críticos ao Governo.

Também foi até poucos meses antes de sua postulação como candidato o correspondente em El Salvador da cadeia americana de notícias "CNN" em espanhol.

Em 1994 recebeu o famoso prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade de Colúmbia.

Ao escolher Funes como presidente, os salvadorenhos também designaram como vice-presidente do país Salvador Sánchez Cerén, o único membro do Comando Geral do FMLN, durante sua época guerrilheira, que se mantém neste partido.

O governante eleito jurará o cargo em 1º de junho para um período de cinco anos e em substituição de Elías Antonio Saca, quarto presidente que a Arena levou ao poder nos últimos 20 anos. EFE cp/ma

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