Mau tempo prolonga o mistério sobre a tragédia do Airbus

Rio de Janeiro, 5 jun (EFE).- A infrutífera busca do Airbus da Air France acidentado no domingo com 228 pessoas a bordo se complicou hoje por causa das fortes chuvas e correntes marinhas no quinto dia de operações no meio do Oceano Atlântico.

EFE |

"A situação meteorológica é muito ruim. Hoje temos muita chuva e isso prejudica a visibilidade", disse o brigadeiro Ramón Borges Cardoso, diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo da Força Aérea do Brasil.

Além disso, admitiu que nem os aviões nem os navios que participam da busca avistaram nesta sexta-feira restos dos passageiros nem da aeronave.

O avião, que fazia o voo AF 447 entre Rio de Janeiro e Paris, desapareceu dos radares no domingo à noite sobre o Atlântico e desde então um manto de mistério cobre o caso, pois além de as autoridades não terem pistas concretas da causa do acidente, não puderam retirar do mar nem corpos nem materiais do acidente.

Segundo a Aeronáutica, a previsão é de que as chuvas persistam nas próximas horas, assim como as ondas de até 1,8 metro, o que faz com que a visibilidade na área de buscas seja inferior a 4 mil metros.

As correntes marinhas, que acredita-se que tenham espalhado os restos do Airbus A330-200, obrigaram os responsáveis das buscas a aumentar a área das operações, que até ontem era de 185.349 quilômetros quadrados, uma superfície um pouco maior que a do Uruguai.

A área de operações está próxima às ilhas de São Pedro e São Paulo, formações rochosas desabitadas situadas a cerca de 704 quilômetros do arquipélago de Fernando de Noronha e a 1.296 quilômetros da cidade de Recife, de onde se dirigem as buscas.

Após admitir que alguns objetos tirados na quinta-feira do mar não são da aeronave, como tinha sido informado inicialmente, a Marinha e a Força Aérea adotaram hoje um tom de cautela em suas declarações.

Segundo o diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, o resultado "mais concreto" das buscas até agora é uma poltrona de avião e uma peça metálica de sete metros avistadas pelos pilotos da Força Aérea e que não foram retiradas das águas.

Borges Cardoso disse igualmente que as manchas de combustível vistas provavelmente são de querosene, que é utilizado por aviões e não por navios, mas reiterou que o óleo que se estendeu por uma extensa superfície não é de uma aeronave.

Admitiu que até agora não há rastros nem de corpos nem de sobreviventes e que, após cinco dias, já é muito difícil pensar em encontrar alguém vivo.

Em um breve comunicado divulgado hoje, o comando das buscas informou que "a operação prosseguirá com a mesma conduta adotada nos dias anteriores, em que as aeronaves envolvidas avisam sobre eventuais avistamentos de restos aos três navios da Marinha que se encontram na área".

Além das nove aeronaves da Força Aérea Brasileira que participam das buscas, assim como de um avião de patrulha marítima P-3C Orion dos Estados Unidos e um Falcon 50 da França, hoje uniu-se à operação uma aeronave francesa Atlantic Rescue D.

As autoridades brasileiras também se abstiveram de dar qualquer informação sobre possíveis causas do acidente, já que a investigação é responsabilidade da França.

"Nós não estamos buscando os motivos que puderam ter causado o acidente. Só estamos colaborando com as autoridades francesas para permitir que, com os restos que sejam recolhidos ou com qualquer outra informação, disponham de uma maior capacidade de análise do que aconteceu", afirmou Borges Cardoso.

Os comandantes da operação se reuniram hoje em Recife com um grupo de familiares das vítimas para explicar a eles os esforços que estão fazendo e as grandes dificuldades enfrentadas.

As 13 pessoas da comitiva, representando os parentes das 59 vítimas brasileiras da tragédia, retornaram nesta mesma sexta-feira ao Rio de Janeiro sem dar nenhuma declaração.

A viagem foi uma iniciativa da Força Aérea perante os protestos dos parentes pela falta de resultados das buscas e pelas informações contraditórias dadas pelos militares. EFE cm/ma

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