Mau tempo frustra busca de corpos; operações continuam até dia 19

Rio de Janeiro, 10 jun (EFE).- O mau tempo frustrou hoje as operações de busca de corpos de ocupantes do avião da Air France que caiu no Oceano Atlântico na semana passada, ao passo que as autoridades declararam que essas tarefas prosseguirão pelo menos até o dia 19 deste mês.

EFE |

"As condições meteorológicas não eram as adequadas. Por isso, ordenamos desviar as aeronaves para pontos diferentes dos quais pensávamos que encontraríamos corpos", explicou o diretor do Departamento de Controle do Espaço Aéreo, brigadeiro Ramon Borges Cardoso.

Dos 228 ocupantes do avião, 41 corpos foram encontrados flutuando no mar e resgatados por navios brasileiros e franceses em uma extensa área ao nordeste do arquipélago desabitado de São Pedro e São Paulo (PE) e a cerca de 1.300 quilômetros do litoral brasileiro.

A Marinha considera que as correntes marinhas podem ter deslocado os restos do avião e os outros corpos para ao norte do ponto no qual se acredita que o acidente ocorreu, já fora das águas territoriais brasileiras e na área de controle aéreo de Dacar (Senegal).

Segundo o brigadeiro, o tempo amanhã será bom para os navios, embora as condições de visibilidade sejam "baixas" para as aeronaves que apoiam a operação.

Portanto, durante amanhã e sexta-feira, as tarefas de busca seguirão o mesmo esquema e só então as autoridades militares farão um resumo do que foi encontrado até o momento.

No entanto, de acordo com Cardoso, haverá buscas das vítimas e restos do Airbus da Air France "pelo menos até o dia 19", quando se considera que as distâncias ainda sejam "aceitáveis", tanto para as aeronaves, quanto para os navios.

"É o tempo que nós imaginamos que ainda haveria possibilidade de recolher corpos", disse o brigadeiro, acrescentando que esse período de dez dias pode ser estendido.

Os primeiros 16 cadáveres resgatados permaneceram hoje na base do arquipélago Fernando de Noronha (PE) até por volta das 19h30 e então, com quase quatro horas de atraso em relação ao horário previsto, foram transferidos a Recife em um avião Hércules C-130.

"As tarefas de tratamento (dos cadáveres) demoraram muito mais do que o esperado", comentou Cardoso, em relação aos primeiros exames para a identificação das vítimas, que começaram na manhã de ontem.

Ainda em Fernando de Noronha, foram extraídas amostras de DNA dos cadáveres, além de suas impressões digitais. Também foram separados e catalogados roupas e objetos que portavam.

Uma vez em Recife, o Instituto Médico Legal (IML) se encarregará de realizar as autópsias para identificar as causas das mortes, enquanto que os testes de DNA serão feitos de forma paralela na sede da Polícia Federal em Brasília.

O brigadeiro considerou que, só depois do fim das análises no IML de Recife, será possível fazer "alguma identificação".

"Após o fim do trabalho em Recife, as famílias serão contatadas", disse Cardoso, lembrando que, até agora, nenhuma delas pediu acesso às tarefas de identificação.

Os outros 25 cadáveres recuperados até hoje estão na fragata "Bosísio", que navega rumo a Fernando de Noronha e de onde deve se aproximar amanhã para que dois helicópteros recolham os restos mortais e os levem até o arquipélago.

Participam das buscas 14 aeronaves, 12 delas brasileiras e duas francesas, assim como cinco navios brasileiros e a fragata francesa "Ventose".

Nos próximos dias, se juntam aos trabalhos de resgate outros cinco navios franceses, embora a maior parte deles, sob a liderança do submarino nuclear "Émeraude", vá se dedicar principalmente à localização da caixa-preta, que pode estar a entre três mil e cinco mil metros de profundidade.

Segundo o brigadeiro, também se somará às operações o navio desembarque-doca "Rio de Janeiro", que chegará semana que vem à área do desastre procedente do Haiti, onde participava das operações de paz, com 363 marinheiros e dois helicópteros. EFE mp/bba

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