Mau tempo derrubou linhas de transmissão e levou a apagão, diz ministério

O apagão que atingiu o Distrito Federal e pelo menos nove Estados brasileiros na noite de terça-feira foi o resultado da queda de três linhas de transmissão entre o Paraná e São Paulo por conta de condições meteorológicas adversas, segundo o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. De acordo com Zimmermann, o problema foi registrado em duas linhas de transmissão entre as cidades de Ivaiporã (PR) e Itaberá (SP) e em uma terceira linha, entre Ivaiporã e Tijuco Preto (SP).

BBC Brasil |

O fornecimento de energia elétrica nas regiões afetadas pelo apagão foi normalizado a partir da madrugada desta quarta-feira.

A usina de Itaipu anunciou que voltou a operar em condições de normalidade a partir das 6 horas (horário de Brasília), após "uma pane no sistema elétrico interligado brasileiro".

O problema teve início às 22h13 de terça-feira e provocou a interrupção do fornecimento de energia elétrica em grandes áreas do país.

De acordo com o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), cerca de 800 cidades brasileiras foram atingidas pela falta de energia elétrica.

"Por efeito dominó, inclusive o sistema paraguaio teve o fornecimento de energia interrompido", afirmou a empresa Itaipu Binacional, em um comunicado divulgado na madrugada desta quarta-feira.

Reunião
Na manhã desta quarta-feira, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, conversou por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para informá-lo sobre os procedimentos que estão sendo adotados para identificar as causas do apagão.

De acordo com o Ministério de Minas e Energia, técnicos do setor trabalham para apurar as causas do apagão e, às 17h, o ministro se reúne com o Conselho de Monitoramento do Setor Elétrico para ouvir as conclusões sobre o problema e discutir medidas para evitar que algo semelhante volte a ocorrer.

O conselho é presidido pelo ministro de Minas e Energia e integrado por representantes do próprio ministério e outras agências do governo, incluindo ONS, Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Em uma entrevista coletiva em Brasília, Lobão disse que houve um "desligamento completo" da hidrelétrica de Itaipu provocado por "fatores atmosféricos", o que causou um efeito cascata.

De acordo com a Itaipu, imediatamente depois do blecaute, a hidrelétrica "estava com suas máquinas ligadas, girando no vazio, porém, sem possibilidade de transmitir energia, pois as linhas de transmissão que conectam Itaipu ao sistema brasileiro estavam desligadas".

"Em 15 minutos, o sistema paraguaio já estava sendo suprido por Itaipu, o que reforça o fato de que a causa do defeito foi externa à usina", disse a empresa.

De acordo com o diretor-geral de Itaipu, Jorge Samek, a usina é responsável atualmente por 19% da energia do Brasil.

Impacto
A região mais afetada pelo apagão foi a Sudeste, em particular os Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

O blecaute também afetou o Distrito Federal e mais seis Estados: Minas Gerais, Paraná, Goiás, Pernambuco, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, além do Paraguai.

Como medida de segurança, o governador de do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, que estava em Brasília durante o apagão, disse que entrou em contato com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e pediu para que ele colocasse em alerta máximo a Guarda Municipal.

Segundo Cabral, a medida foi preventiva porque, apesar da falta de energia, a situação na cidade era tranquila. O governador também determinou que o Batalhão de Operações Especiais (Bope) fosse para as principais vias da cidade a fim de garantir a segurança dos motoristas.

A falta de energia causou problemas principalmente para o trânsito. No Rio de Janeiro, os sinais de trânsito ficaram desligados durante as quatro horas de apagão, complicando a circulação de veículos. O retorno da luz na região da orla da praia de Copacabana foi comemorada pelos residentes que passavam pelo local.

Na cidade de São Paulo, o trânsito também apresentou problemas nos principais corredores de tráfego com o desligamento dos sinais de trânsito. Além disso, o sistema de metrô e as linhas de trem também pararam de funcionar, afetando o trajeto de milhares de paulistanos.

A situação forçou a Prefeitura de São Paulo a suspender o rodízio de automóveis na manhã desta quarta-feira e a aumentar a frota de transporte público para atender a população. No entanto, muitos ficaram nas ruas esperando o retorno da energia elétrica.

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