Uma série de atentados devastadores em Bagdá deixou pelo menos 95 mortos e centenas de feridos nesta quarta-feira, no dia mais sangrento na capital iraquiana desde que as tropas americanas se retiraram das cidades do país no fim de junho.

Os ministérios do Interior e da Defesa confirmaram um balanço de 95 mortos e quase 600 feridos nos ataques, incluindo dois com caminhões-bomba no coração da cidade, perto dos prédios dos ministérios das Relações Exteriores e das Finanças.

As autoridades atribuíram os ataques a membros do partido Baath, do falecido ditador Saddam Hussein, e a grupos de extremistas.

Os atentados aconteceram no sexto aniversário do ataque com um caminhão-bomba contra o prédio da ONU em Bagdá, que matou o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, enviado especial do então secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, e outras 21 pessoas.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, se declarou entristecido com os brutais ataques. "Estou entristecido porque a violência continua, incluindo a brutal série de ataques de hoje em Bagdá, que custaram a vida de muitas pessoas inocentes", declarou Ban durante uma cerimônia na sede da ONU em comemoração pelo Dia Humanitário Internacional.

O primeiro caminhão-bomba explodiu diante da sede da chancelaria, a poucos metros da entrada da "zona verde", setor ultraprotegido onde se encontram vários ministérios e embaixadas, incluindo a dos Estados Unidos, além da sede do governo iraquiano. Pelo menos 20 pessoas morreram e 130 ficaram feridas.

A explosão abriu uma cratera de três metros de profundidade e 10 de largura. Toda a fachada do ministério foi destruída e o muro do complexo desabou.

"Estava em meu escritório no ministério quando aconteceu a explosão. O edifício tremeu", contou Hasan, com o rosto ensanguentado e enfaixado.

"Eu estava em casa com minha família. O teto desabou em cima de nós", afirma um ainda emocionado Hamid, 46 anos.

"O governo disse que a segurança voltou, mas onde? O atentado aconteceu na frente do ministério das Relações Exteriores, no coração de Bagdá", completa irritado, diante do estacionamento do edifício, coberto com uma fumaça negra, provocada pelo incêndio em dezenas de veículos.

Apoiada nos dois filhos, Jalida, 40 anos, estava em choque. "Não sei o que aconteceu. Tudo explodiu", conta um dos filhos, Adnan, ao mesmo tempo que tenta levar a mãe ao hospital.

O segundo caminhão-bomba explodiu debaixo da ponte de uma avenida que liga as zonas norte e sul da capital iraquiana. A ponte desabou e os veículos caíram no vazio.

O ministério das Finanças, que fica na região do ataque, foi atingido em cheio e os 200 funcionários que estavam no edifício foram feridos ou mortos.

Um carro-bomba também explodiu no bairro de Baya, zona oeste da capital. Duas pessoas morreram e cinco ficaram feridas.

Mais cedo, dois obuses de morteiro caíram na "zona verde" e outro do lado de fora desta área ultraprotegida.

Apesar da considerável redução da violência nos últimos meses, os atentados contra as forças de segurança e os civis continuam frequentes em Bagdá, Mossul e na cidade de Kirkuk, dividida etnicamente e muito rica em recursos petroleiros.

O primeiro-ministro iraquiano Nuri al-Maliki afirmou que quer uma reavaliação das medidas de segurança no Iraque.

"As operações criminosas de hoje pedem sem dúvida uma reavaliação de nossos planos de segurança para enfrentar os desafios terroristas", indicou, pedindo, em função disso, uma cooperação maior entre os serviços de segurança e os iraquianos.

O número de mortes violentas caiu em julho a 275, contra 437 em junho, depois da retirada dos soldados americanos das áreas urbanas.

Em maio foram registradas 155 mortes violentas, o menor número em um mês desde a invasão em março de 2003.

mel-sk/fp

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