Massacre de Columbine continua sem resposta 10 anos depois

Jorge Bañales. Washington, 20 abr (EFE).- Há dez anos, dois adolescentes com distúrbios emocionais e psicológicos invadiram uma escola de ensino médio no Colorado com explosivos na mochila e armados, mataram 13 pessoas e feriram outras 24 antes de se suicidarem.

EFE |

Nos anos seguintes, vários estudos foram feitos para tentar determinar o que levou os dois rapazes a cometer o massacre, que, ainda hoje, continua sendo um mistério.

O ataque à Escola Secundária de Columbine, cometido por Eric Harris e Dylan Klebold, levantou o debate sobre as armas de fogo nos Estados Unidos e sobre como evitar massacres semelhantes.

Em 20 de abril de 1999, Harris, com uma camiseta na qual se lia Natural Selection (Seleção Natural), e Klebold, cuja camiseta tinha impressa a palavra Ira, levaram para o colégio bombas de fabricação caseira que foram instaladas na cafeteria, e deixaram outras em seus respectivos automóveis.

Os dois estudantes, usando jaquetas longas e escuras, e armados com espingardas e pistolas semiautomáticas, se sentaram para esperar que a explosão das bombas - que teriam matado centenas de pessoas - assustasse as pessoas e fizesse com que elas fugissem apavoradas do edifício, para, então, fuzilá-las.

Como as bombas falharam, Klebold, o jovem desiludido, deprimido e que pensava que não havia vida pior que a sua, e Harris, que se achava Deus e lutava para que fosse reconhecida a inferioridade dos demais, voltaram ao prédio e começaram a atirar em quem cruzasse seu caminho.

O resultado foi o terceiro pior massacre escolar na história dos Estados Unidos, depois do registrado em 1927 na escola Bath de Michigan, que deixou 45 mortos e 58 feridos, e do ocorrido em 1966 na Universidade do Texas, com 14 mortos e 32 pessoas com ferimentos.

Há dois anos, o ataque foi superado pelo massacre na Universidade Virginia Tech, que se saldou com 32 mortos e dezenas de feridos.

O massacre de Columbine causou grande atração midiática, principalmente quando as equipes de operações especiais da Polícia cercaram a escola, ajudaram dezenas de alunos, empregados e professores a escapar, e encontraram Klebold e Harris mortos.

Imediatamente, começou um acalorado debate sobre a facilidade de acesso a armas de fogo, a influência dos videogames violentos nas mentes dos jovens, e a atenção ou falta dela por parte de pais em direção aos filhos com conflitos emocionais ou problemas psicológicos.

Na versão apressada que surgiu do ataque em Columbine emergiram rumores: que uma menina tinha sido morta após dizer que acreditava em Deus, ou que Klebold e Harris se sentiam vítimas de abusos de outros estudantes.

Estas duas afirmações, e o suposto fascínio dos dois com jogos "góticos" de fantasia e vídeos, foram negadas por investigadores, embora permaneçam na mente do público.

O estudo das mensagens deixadas pelos suicidas e uma análise das ações de ambos, planejadas durante mais de um ano, mostram que Harris e Klebold queriam causar um massacre generalizado que superasse em violência o cometido em 1995 por Timothy McVeigh em Oklahoma City.

Esse, que continua sendo o ataque terrorista mais mortífero cometido por um indivíduo nos Estados Unidos, deixou 168 mortos e 800 feridos. Mas, ao contrário de Mcveigh, que tinha uma motivação política, Harris e Klebold só queriam terminar seus dias em uma hecatombe.

Todos os estudos, exames de consciência, polêmicas, medidas adotadas para o controle de armas de fogo, programas de atendimento psicológico para os adolescentes e sermões de políticos e líderes religiosos não impediram que, desde 1999, ocorressem outros ataques em escolas.

Também não impediram que, quatro dias antes do oitavo aniversário do massacre em Columbine, o estudante Seung-hui Cho, armado com uma pistola automática Glock e outra Walther P22, percorresse por quase três horas os arredores da universidade Virginia Tech, onde matou 32 pessoas e se suicidou. EFE jab/db

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