Massachusetts realiza eleição crucial para democratas americanos

María Peña. Washington, 19 jan (EFE).- Os democratas enfrentam hoje, no estado de Massachusetts, uma votação crucial: a escolha do substituto de Ted Kennedy no Senado, da qual depende tanto a supermaioria da legenda no Congresso como a aprovação da reforma da saúde e de outros projetos legislativos.

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As urnas fecharão às 20h (23h de Brasília) e, a julgar pela participação no pleito, que deve atrair cerca de 2 milhões de pessoas, a disputa será uma das maiores já travadas no estado.

Segundo o jornal "The Boston Globe", as seções eleitorais de Boston, capital de Massachusetts, registravam mais de 23 mil botos por volta das 9h, o que indica que o comparecimento às urnas deve ser bem maior que durante as primárias do mês passado.

Até algumas semanas atrás, todos davam como certo que, em um estado tão progressista, a democrata Martha Coakley, procuradora-geral do estado, ganharia a cadeira deixada vaga pelo falecido Ted Kennedy, que morreu em agosto passado de um câncer no cérebro, após 47 anos representando Massachusetts no Congresso.

Porém, o candidato republicano à vaga, o senador estadual e ex-modelo Scott Brown, aproveitou o descontentamento dos republicanos e independentes com a agenda do presidente Barack Obama para arrebanhar eleitores e até ultrapassar Coakley nas pesquisas mais recentes.

Brown está tão confiante em sua vitória que já disse que será o "voto número 41" no Senado, com o qual os republicanos poderiam minar o debate e a votação definitiva de qualquer projeto de lei.

Na câmara alta, os democratas ocupam 60 cadeiras, que dão à legenda a maioria necessária para driblar qualquer tentativa da oposição de impedir a votação definitiva de uma lei.

Mesmo com a disputa acirrada, a Casa Branca, além de minimizar a importância da eleição de hoje, insistiu que a votação não representa um referendo sobre a reforma da saúde promovida por Obama, uma vez que o estado já oferece cobertura médica universal a todos os habitantes.

A mudança do sistema de saúde, uma promessa eleitoral de Obama, foi uma das causas mais defendidas por Kennedy durante sua carreira política. Mas, agora, uma vitória de Brown ameaça esta reforma.

O plano de Obama foi aprovado preliminarmente nas duas casas do Congresso. Porém, ainda precisa ser homologado e ter sua versão definitiva votada.

Durante as votações no Senado e na Câmara de Representantes, os republicanos votaram contra a iniciativa por considerá-la custosa e ineficaz.

Diante deste cenário, os democratas analisam suas opções frente a uma possível derrota de Coakley. Duas delas seriam agilizar a votação final da reforma da saúde ou adiar a posse Brown até que o projeto de lei tenha sua versão final votada.

Uma terceira possibilidade é os democratas da Câmara de Representantes aprovarem, sem mudança alguma, o projeto que recebeu o sinal verde dos senadores, o qual não contém a "opção pública", a partir da qual o Governo administraria um seguro médico e poderia competir com o setor privado.

Outra preocupação dos democratas é o risco de uma vitória de Brown catalisar uma recuperação dos republicanos no pleito legislativo de novembro, quando serão renovadas 435 cadeiras da Câmara de Representantes e 34 do Senado.

Segundo observadores, a disputa em Massachusetts reflete o inóspito ambiente político que prevalece no país, às vésperas do primeiro aniversário de Obama à frente do Governo.

No domingo, o presidente acompanhou Coakley em um comício em Boston. Nele, disse que os eleitores têm a opção entre a agenda progressista e as políticas do passado.

Obama também enviou uma mensagem urgente aos 13 milhões de eleitores democratas do grupo Organizing for America, organização que ajudou a elegê-lo em 2008.

Os democratas enviaram ainda outros pesos-pesados do partido para socorrer Coakley, entre eles o ex-presidente Bill Clinton e o senador John Kerry. EFE mp/sc

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