Massa é destaque em temporada que consagrou Hamilton como campeão da F-1

Redação Central, 21 dez (EFE).- Preterido no início da temporada, o brasileiro Felipe Massa ganhou força na Ferrari e ficou a uma curva de tirar do inglês Lewis Hamilton o Mundial de Fórmula 1 - porém, ele trouxe de volta ao país uma atenção à principal categoria do automobilismo que não era vivida desde os tempos de Ayrton Senna.

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Massa começou mal a disputa pelo título e viu Hamilton abrir 14 pontos, por conta dos abandonos na Austrália e Malásia. Seu primeiro bom resultado foi a vitória no Grande Prêmio do Bahrein - a primeira de outras seis, incluindo a prova no Brasil, que encerrou a temporada.

O circuito de Interlagos viu a mais emocionante decisão na história da principal categoria do automobilismo: Hamilton terminou em quinto com sua McLaren após uma ultrapassagem na última curva da volta final.

O inglês caiu para a sexta posição na penúltima volta, resultado que beneficiava Massa. No entanto, Hamilton contou com a sorte e ultrapassou o alemão Timo Glock sob forte chuva, que estava em quarto e teve problemas com sua Toyota nos metros finais.

Com a quinta posição em Interlagos, o piloto da McLaren terminou o campeonato com 98 pontos, apenas um à frente do brasileiro. Ele se tornou o mais jovem a conquistar o Mundial, aos 23 anos, nove meses e 27 dias de idade, quebrando o recorde do espanhol Fernando Alonso, seu ex-companheiro de equipe, campeão em 2005 aos 24 anos, um mês e 27 dias.

Além disso, o feito representou o fim do jejum de títulos dos ingleses na categoria. O último representante do país a triunfar na F-1 havia sido Damon Hill, em 1996, pela Williams.

Já Massa confirmou seu amadurecimento como piloto ao obter seu melhor desempenho em uma temporada da F-1, categoria à qual entrou em 2001.

A grande chance de ser campeão pela primeira vez também esbarrou nos erros da Ferrari e nos motores da escuderia italiana, que prejudicaram Massa em momentos-chave.

Mesmo assim, o paulista comemorou a conquista do Mundial de Construtores pela escuderia italiana e preferiu lembrar o êxito pela boa temporada.

"Temos que levantar a cabeça e comemorar o que fizemos hoje e no campeonato inteiro. Às vezes as coisas acontecem para a gente aprender e crescer", disse o brasileiro, visivelmente emocionado, em declarações durante a coletiva de imprensa após a corrida em Interlagos.

O brasileiro foi elogiado também por companheiros de F-1. Um deles foi o escocês David Coulthard, que se aposentou ao volante da Red Bull no GP do Brasil.

"Para mim, Felipe é o piloto que mais evoluiu na temporada. Todos já sabíamos que ele era veloz, mas em provas como a da Hungria, teve desempenho notável. Naquela corrida, com sua ultrapassagem sobre Lewis Hamilton, Massa mostrou que é um dos pilotos mais arrojados", comentou.

Outros dois brasileiros participaram da disputa este ano. O veterano Rubens Barrichello acabou em 14º lugar, com 11 pontos, e seu melhor resultado foi a terceira posição na Grã-Bretanha.

Mas nem isto foi suficiente para que Rubinho garantisse emprego na categoria antes do fim do ano, já que nem a Honda - que deixaria depois a F-1 por problemas financeiros - o confirmou.

Já Nelsinho Piquet, filho de Nelson Piquet, fez sua primeira temporada na Renault e teve desempenho irregular, com muitos abandonos. Apesar do segundo lugar no GP da Alemanha, ele ficou em 12º, com 19 pontos, e correu risco de perder o posto de companheiro de Alonso para 2009 - porém, ele acabou tendo contrato renovado.

Pouco tempo após o fim da temporada, a crise financeira mundial virou motivo de preocupação para a Federação Internacional de Automobilismo (FIA) e às escuderias. Todas as partes concordaram que a F-1 precisará cortar muitas despesas para sobreviver.

A primeira vítima da crise foi a Honda, que anunciou oficialmente em dezembro sua saída da F-1 e confirmou que a equipe está à venda.

A montadora estava na categoria desde 1964, seja como fornecedora de motores ou equipe própria.

A equipe recebia um investimento de 50 bilhões de ienes (US$ 541,4 milhões) anuais da multinacional. Além de Barrichello, eram cotados para integrar a escuderia os brasileiros Bruno Senna - sobrinho de Ayrton - e Lucas di Grassi, que chegaram a fazer testes.

Também no fim do ano, o Conselho Mundial da FIA e a Associação das Escuderias da Fórmula 1 (Fota, em inglês) aprovaram uma série de medidas para combater a crise.

Entre elas estão a proibição da realização de treinos particulares durante a temporada, limitações dos motores e redução de custos em inovações de aerodinâmica.

Para 2009, também estão previstas a volta dos pneus slick, ausentes desde 1997, e o Sistema de Recuperação de Energia Cinética (Kers, em inglês), que transfere para o volante a energia dissipada nas desacelerações e que permitirá força nas ultrapassagens. A novidade vem sendo testada pelas equipes, que não vem gostando da tecnologia.

A FIA espera que estas medidas sejam suficientes para reduzir os orçamentos. Em nota, a federação estima uma queda de 30% nos custos de cada equipe em relação a 2008, e até mais para as escuderias independentes.

As mudanças prometem ser ainda mais radicais em 2010. Uma delas pode ser a chegada do motor único, que representaria uma redução de cinco milhões de euros por temporada para cada equipe.

Nas pistas, espera-se que o brasileiro Felipe Massa possa encarar melhor às mudanças e conseguir o título que ficou no quase em 2008.

EFE dp/rd

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