Martha Roldós aposta no social rumo à Presidência do Equador

Quito, 25 abr (EFE).- Martha Roldós, candidata da Frente da Esquerda Unida à Presidência do Equador nas eleições de amanhã, declara-se herdeira do legado político do pai, Jaime Roldós, que, com 39 anos, foi o presidente mais jovem do país.

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A candidata, que retoma a causa do pai através do mesmo slogan, "a força da mudança", aposta, em sua iniciativa política, em projetos mais sociais dirigidos aos trabalhadores públicos, às comunidades locais e, sobretudo, à mulher.

Martha, além de se declarar "uma mulher de esquerda", define-se como feminista e defensora convicta dos direitos da mulher, ressaltando, entre suas propostas sociais, a luta contra os maus-tratos de gênero.

A candidata nasceu em 25 de outubro de 1963 na cidade portuária de Guayaquil, em uma família vinculada à política, já que não só é filha de Jaime Roldós, mas também é sobrinha de León Roldós, que assumiu como vice-presidente depois da morte do irmão em um acidente de avião.

Além disso, sua mãe é irmã de Abdalá Bucaram, que presidiu o país de agosto de 1996 a fevereiro de 1997, quando foi destituído por "incapacidade mental para governar".

Mas seus vínculos familiares com a política não acabam aí, já que foi casada com o sobrinho do ex-presidente do Panamá Omar Torrijos (1968-1981) Jean Carlos Soler Torrijos, com quem teve sua filha Sofía.

Martha estudou Economia na Universidade Católica de Guayaquil, onde foi colega do atual presidente Rafael Correa, para mais tarde ir ao México, onde fez mestrado em Economia e Política, e em Sociologia.

Quando voltou ao país, trabalhou como professora na Universidade do Pacífico.

Em 2002, participou pela primeira vez da política quando ajudou o tio León Roldós em sua campanha eleitoral e, desde então, não se afastou. Em 2007, foi eleita deputada, após a chegada ao poder do atual presidente.

Martha foi colega de Correa, mas, com o passar do tempo, afastou-se dos postulados governistas e começou a acusar o atual presidente equatoriano de querer a concentração de poder e de agir com prepotência.

Quando o Congresso foi dissolvido e formada a Assembleia Constituinte, que desde dezembro de 2007 teve a missão de elaborar a nova Constituição do país, Martha ocupou um posto na comissão de direção desse fórum.

Após a aprovação da nova Carta Magna em um referendo, em 28 de setembro de 2008, fez parte da Comissão Legislativa que se encarregou de reger o período de transição para o novo marco constitucional - que culminará com as eleições de amanhã - e de elaborar leis complementares à Constituição.

Agora, com o partido Rede Ética e Democracia (RED) e acompanhada do candidato à Vice-Presidência Eduardo Delgado, um ex-sacerdote salesiano seguidor da Teologia da Libertação, Martha aspira a chegar ao Palácio de Carondelet e a criar "uma sociedade na qual todos os equatorianos estejam integrados".

Suas propostas fundamentais se emolduram, segundo ela, no âmbito do socialismo e afirma que provêm de uma tradição de luta na defesa dos direitos sociais, dos direitos da mulher e do meio ambiente.

Martha se caracterizou ultimamente por sua oposição à gestão dos recursos minerais realizada pelo Governo de Correa, a quem acusa de beneficiar as transnacionais e não respeitar o habitat natural de comunidades indígenas, por isso defende a nacionalização do petróleo.

"A força da mudança" e "a esquerda unida" são os lemas sob os quais Martha constrói sua proposta política para renovar a evolução do país e suprir o que ela denomina de "fraude" do Governo de Correa, que "perverteu" a ideia de socialismo.

Dos oito candidatos, Martha Roldós está em quarto lugar nas pesquisas de intenções de voto, que lhe dão entre 6% e 8%, atrás de Correa, do ex-presidente Lucio Gutiérrez e do magnata do setor bananeiro Álvaro Noboa. EFE ic/ma-an

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