O Marrocos apóia a candidatura do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas, como parte da reforma dessa organização internacional, anunciou hoje o ministro marroquino das Relações Exteriores, Taieb Fassi Firhi, ao lado do colega brasileiro, Celso Amorim.

"O Brasil será uma voz forte do mundo em desenvolvimento nas decisões da comunidade internacional (...) Reconhecemos no Brasil disponibilidade e capacidade para ser membro permanente do Conselho de Segurança", afirmou Fassi em entrevista à imprensa.

Fassi e Amorim presidiram ontem e hoje a primera reunião da comissão mista brasileiro-marroquina durante a qual assinaram numerosos acordos nos setores econômico, social e relativos ao meio ambiente.

Amorim precisou que o montante das relações comerciais entre ambos os países subiu em quatro anos de 200 milhões de dólares para 1 bilhão de dólares.

"Nossa relação se inscreve numa visão de mundo no qual as relações Sul-Sul se revestem de importância. Durante muito tempo, a cooperação Sul-Sul foi figura de retórica; os países falavam muito mas, na realidade, todas as relações eram mantidas com os países do Norte", sustentou o chanceler brasileiro.

"Atuamos para que isto mudasse. Podemos citar a importância da África em seu conjunto para o Brasil: o continente tornou-se em alguns anos no quarto parceiro do Brasil, depois de Estados Unidos, Argentina e China", afirmou Amorim.

O ministro Amorim foi questionado sobre a anulação de uma viagem que o presidente Luiz Inacio Lula da Silva deveria ter feito em julho de 2007 ao Marrocos e que, segundo a imprensa brasileira, foi motivada por diferenças em relação ao Saara Ocidental.

"É um assunto importante e delicado. Reconhecemos sua importância para o Marrocos e outros países amigos, em especial a Argélia. É um assunto complexo", disse Amorim.

Ambos os países indicaram que "este assunto exige das partes continuar dando mostras de vontade política, de realismo e de espírito de compromisso".

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