Marinha recolhe destroços de avião, sem esperança de sobreviventes

Os primeiros destroços do avião da Air France que desapareceu no Atlântico, com 228 pessoas a bordo, foram recolhidos no mar nesta quinta-feira, e a companhia aérea comunicou aos familiares que já não há esperanças de se encontrar sobreviventes.

AFP |

O primeiro fragmento recuperado pela Marinha brasileira é um suporte para a acomodação de cargas da aeronave, informou o Comando da Aeronáutica.

De acordo com as informações, um helicóptero Lynx decolou da fragata "Constituição" e recuperou a peça, conhecida como "pallet", além de duas boias que foram levadas a bordo e que, posteriormente, serão transportadas para a ilha de Fernando de Noronha, e de lá para Recife.

Após se concentrar em possíveis sobreviventes, as operações se dirigem agora aos restos do avião: "Hoje estamos trabalhando para recolher os destroços", explicou o brigadeiro Ramon Borges Cardoso.

"Ontem (quarta-feira) a preocupação era encontrar os corpos, hoje podemos colocar os dois trabalhos no mesmo nível de interesse", declarou.

"Caso sejam encontrados corpos de vítimas, toda a tarefa de recolher destroços do avião será interrompida imediatamente e se dará prioridade absoluta ao traslado dos corpos a terra firme. Esta logística já está montada", disse o brigadeiro.

"Os destroços do avião irão para a França, para o trabalho dos investigadores", completou o militar da Aeronáutica.

Quase 150 pessoas trabalham nas cidades de Recife, Natal e no arquipélago de Fernando de Noronha "nas áreas que foram designadas para as buscas", que "são de aproximadamente 6.000 km2" para esta quinta-feira, completou Cardoso.

O brigadeiro disse ainda que se houvesse sobreviventes estariam próximos dos destroços encontrados no mar.

O diretor-geral da Air France, Pierre-Henri Gourgeon, e o presidente da companhia, Jean-Cyril Spinetta, se reuniram com familiares das vítimas na véspera para informar que já "não há esperanças de se encontrar sobreviventes".

O ministro francês das Relações Exteriores, Bernard Kouchner, que chegou hoje ao Rio de Janeiro para expressar sua solidariedade às famílias das vítimas, estimou que "será preciso tempo" para saber quais foram as causas da catástrofe.

"Por hora, não avançamos muito. Será preciso tempo, sem dúvida, para saber mais, a profundidade é imensa", indicou Kouchner à imprensa, referindo-se aos cerca de 4.000 metros de profundidade da área do oceano Atlântico onde foram encontrados destroços do Airbus A330.

Perguntado sobre a possibilidade de um atentado, o ministro afirmou que os especialistas não haviam encontrado "nenhum indício" que respaldasse esta hipótese. "Mas nós não a descartamos", acrescentou.

"Estamos procurando as causas, porque isso interesa às pessoas de todo o planeta, para quem viaja ou não", afirmou Kouchner, destacando que "esta rota aérea é usada todos os dias. Eu mesmo vou à noite pegar o voo AF 447" para Paris.

Segundo o jornal Le Monde, o Airbus A330 voava a uma velocidade incorreta quando ocorreu o acidente.

A Airbus deve publicar uma recomendação, com a autorização do Escritório de Investigações e Análises (BEA) francês, destinada a todas as companhias aéreas que utilizam o A330, revela o jornal.

A recomendação destaca que "no caso de condições meteorológicas difíceis, a tripulação deve conservar a potência dos motores e o ângulo correto para manter a aeronave na linha de voo".

"A primeira coisa que se deve fazer quando se entra em uma zona de turbulências é reduzir a velocidade para diminuir o efeito das turbulências, mas se você reduzir muito a velocidade, o avião perde altitude", explicou à AFP o comandante de aviação aposentado Jean Serrat.

mr/fp/dm/LR

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG