Marinha israelense apreende barco com carregamento humanitário para Gaza

Uma embarcação procedente do Líbano que transportava material humanitário para Gaza foi apreendido nesta quinta-feira pela marinha israelense, que a levou para o porto de Ashdod, no sul do Estado hebreu.

AFP |

Escoltado por navios da marinha de guerra israelense, o barco foi levado à parte militar do porto, segundo um correspondente da AFP.

Esta é a primeira vez que uma nave qeu tenta forçar o bloqueio de Gaza é levado para um porto israelense, e que sua tripulação é detida para ser interrogada.

"Há pouco tempo, um pequeno barco procedente do porto de Trípoli com jornalistas e diversos materiais tentou entrar nas águas de Gaza, em violação do bloqueio marítimo que instauramos", declarou o ministro israelense da Defesa, Ehud Barak.

"Inicialmente, a tripulação entendeu que não deixaríamos o barco seguir para Gaza, e se dirigiu para Al-Arich, no Egito. De lá, ele tentou novamente se infiltrar nas águas de Gaza. Foi neste momento que a marinha israelense o apresou e o levou para o porto de Ashdod", explicou Barak à rádio pública.

Segundo os organizadores da viagem, o "barco da fraternidade" transporta toneladas de medicamentos, alimentos, brinquedos, roupas, detergentes, colchões e bolsas de sangue oferecidos por ONG libanesas e palestinas. O barco, que tem bandeira togolesa, pertence a um palestino.

Entre os oito passageiros do barco está o ex-arcebispo grego católico de Jerusalém, Monsenhor Hilarion Capucci, 84 anos, que deixara a Cidade Santa nos anos 70 depois de ter sido condenado e preso por Israel por contrabando de armas em benefício da Organização de Libertação da Palestina (OLP).

O Exército de Israel disse nesta quinta-feira suspeitar que o barco esteja na verdade transportando armas.

Mais cedo, Maan Bashur, um dos organizadores da viagem, afirmara que o barco tinha sido alvo de tiros da marinha israelense ao largo de Gaza.

No entanto, o Exército de Israel desmentiu a informação. "Nenhum tiro foi disparado a bordo durannte a apreensão do barco", garantiu.

Segundo as redes de televisão NTV e Al-Jazeera, que têm correspondentes a bordo do barco, os soldados israelenses "agrediram passageiros".

Um porta-voz do Hamas, Taher al-Nunu, condenou em comunicado o "ato de pirataria da ocupação israelense contra o barco de nossos irmãos libaneses".

"Isso mostra que o ocupante (Israel) não tem qualquer intenção de instaurar uma verdadeira trégua", acrescentou.

O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, entrou em contato com vários dirigentes árabes e internacionais "para advertir contra qualquer ataque ao barco por parte dos israelenses", segundo um comunicado.

Em Damasco, o ministério das Relações Exteriores denunciou um "ato de pirataria". A França, por sua vez, lamentou estes "incidentes".

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