Marinha do Chile admite erro em alerta de tsunami

O comandante-chefe da Marinha chilena, almirante Edmundo González, admitiu que o Serviço Hidrográfico e Oceanográfico da Marinha (Shoa, na sigla em espanhol) não deu à presidente chilena, Michelle Bachelet, informações claras sobre o risco de tsunami na região costeira do Chile após o terremoto de 8,8 graus que atingiu o país no sábado, informa nesta quarta-feira a imprensa chilena.

iG São Paulo |

A declaração surge em meio às informações de que a maior parte dos quase 800 vítimas da tragédia morreu em consequência do tsunami, e não do próprio terremoto . No domingo, o ministro da Defesa do Chile, Francisco Vidal, disse que "houve um erro da Marinha, que não fez o alerta correspondente".

Segundo Vidal, o alerta de tsunami chegou somente uma hora depois do terremoto. "Além disso, o aviso era sobre ondas de dezoito centímetros e elas foram muito maiores", destacou. "O erro da Marinha foi visível nas regiões onde o tsunami foi registrado", completou.

Segundo um documento obtido pelo jornal El Mercurio, os militares não teriam disparado o alarme de alerta de tsunamis por considerar que não havia risco por acreditar que o epicentro do tremor tivesse sido em terra, e não no mar.

AFP
Residentes locais caminham perto de barco enterrado na areia pelo tsunami

Residentes caminham perto de barco enterrado na areia pelo tsunami

Segundo o jornal La Tercera, o almirante González, porém, afirmou na terça-feira que o Escritório Nacional de Emergências do Chile (Onemi, na sigla em espanhol) recebeu o primeiro alerta sobre a possibilidade do tsunami às 3h55, com a informação tendo sido protocolada oficialmente "meia hora depois do terremoto (4h07)", que ocorreu às 3h34.

A primeira onda do tsunami afetou a costa de Curanipe às 3h54 - ou seja, no momento da emissão do alerta inicial e 20 minutos após o terremoto. O arquipélago Juan Fernández foi impactado às 4h30, quase 35 minutos depois de a Marinha ter avisado o Onemi.

Apesar de negar que a Marinha não tivesse feito a advertência com a antecedência devida, González por outro lado admitiu que a entidade não foi clara ao passar as informações à presidente do Chile, Michelle Bachelet. De acordo com ele, Bachelet ligou para o Shoa às 5h15 de sábado para saber se era necessário manter a advertência.

"Hesitamos em dizer que as condições que havíamos informado há um hora se mantinham. Isso fez com que a Onemi, por instruções da presidente, não declarasse o alerta", relatou. "Compartilhamos a responsabilidade. A presidente fez o correto: perguntou ao órgão técnico e não fomos claros", admitiu.

Depois do terremoto, ondas de até 15 metros arrasaram cidades costeiras, ilhas e portos. Em algumas zonas, a água avançou mais de 2 quilômetros terra adentro, causando a morte de centenas de pessoas.

Reuters
Casa destruída em Constitución

Casa destruída em Constitución

O governo da presidente Michelle Bachelet, que deixará o cargo em 11 de março, disse que ficará para depois a chamada "caça às bruxas", pois agora vai se concentrar nos trabalhos de busca de sobreviventes.

Equipes de resgate trabalham com a ajuda de cachorros nas cidades e povoados mais afetados pelo tremor com a esperança de encontrar sobreviventes. Outras equipes buscam corpos que estariam enterrados sob montanhas de escombros.

Até o momento foram confirmadas 799 mortes , seja pela ação direta do terremoto ou pelos tsunamis ocorridos em sequência na costa chilena.

O número de vítimas fatais possivelmente aumentará, uma vez que o número de desaparecidos chega a 500 apenas em Constitución, a cidade até agora mais afetada por três ondas gigantes , de até 10 metros. Por enquanto com 353 mortes confirmadas, a cidade contabiliza quase metade dos mortos no desastre.

*Com informações da Reuters


Leia também:

Leia mais sobre terremoto

    Leia tudo sobre: chileterremototerremoto no chile

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG