Marinha da Índia destrói barco pirata; sequestros continuam

Por Abdi Sheikh MOGADÍCIO (Reuters) - Um navio militar indiano destruiu um barco pirata no golfo de Áden, e somalis armados capturaram mais duas embarcações na costa nordeste da África, apesar da intensa presença naval internacional nessas águas perigosas.

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Desde sábado, quando piratas realizaram o maior sequestro naval da história, ao capturarem o superpetroleiro saudita Sirius Star, com uma carga de 100 milhões de dólares, os bandidos já tomaram um pesqueiro tailandês com 16 tripulantes e um navio com bandeira de Hong Kong que levava grãos para o Irã, segundo a Agência Marítima Internacional.

Uma outra entidade da navegação disse que um cargueiro grego também foi capturado na região, algo que o governo grego disse desconhecer.

O agravamento da pirataria na costa da Somália neste ano provocou uma elevação do valor das apólices para o frete e leva algumas empresas a contornarem todo o sul da África, na esperança de evitar a zona mais perigosa, embora isso aumente o custo dos transportes.

A Otan, a União Européia e outros decidiram fazer patrulhas na costa nordeste da África, uma das rotas marítimas mais movimentadas do mundo, na ligação entre Europa e Ásia. EUA, Rússia, França e Índia mantêm embarcações militares na costa da Somália.

"Os piratas estão passando um recado ao mundo, de que 'podemos fazer o que quisermos, podemos pensar no impensável, no inesperado'", disse à Reuters Andrew Mwangura, coordenador do Programa de Assistência aos Navegantes do Leste da África, no Quênia.

Aparentemente, a explosão da pirataria na Somália tem relação com o crescimento da militância islâmica e com os milionários resgates pagos.

Até agora, não houve pedido de resgate pelo Sirius Star, capturado longe das águas habitualmente mais infestadas com piratas. A estatal saudita Aramco, dona do navio, disse que aguarda um contato dos sequestradores na quarta-feira. Um site somali disse que os bandidos querem 250 milhões de dólares.

Acredita-se que ele tenha ancorado perto de Eyl, uma vila de pescadores que virou uma cidadela pirata. Estima-se que bandidos mantenham cerca de 12 embarcações naquela região, junto com mais de 200 reféns. Ali estaria também um navio ucraniano que foi capturado neste ano com 33 tanques de guerra e outras armas a bordo.

Como os piratas têm granadas, metralhadoras e lançadores de foguetes, em geral as Marinhas estrangeiras evitam confrontos diretos depois que os seqüestros ocorrem, para não ameaçar a vida dos reféns. Na maioria dos casos, as empresas de navegação tentam negociar um resgate.

(Reportagem adicional de Andrew Cawthorne em Mombasa, e dos escritórios da Reuters em Dubai, Kuala Lumpur, Nova Délhi, Atenas, Seul e Tóquio)

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