Maringá aposta em prevenção para melhorar saúde

Aos 57 anos de idade, a funcionária pública aposentada Cleide Alves da Silva superou uma depressão, após um tratamento de um câncer de mama, com uma receita simples: começou a trabalhar em uma horta. Ela diz que após começar o trabalho na terra, vários de seus sintomas desapareceram e a horta a ajudou a melhorar sua alimentação e sua renda.

BBC Brasil |

"Agora não tenho mais insônia, mais nada. Minha auto-estima melhorou."
Cleide está trabalhando em uma das dez hortas comunitárias de Maringá, no interior do Paraná, que fazem parte de um projeto com o objetivo de melhorar a saúde da população.

Desde 2005, a cidade passou a fazer parte da Rede de Municípios Potencialmente Saudáveis (RMPS), que reúne 55 cidades em cinco Estados e busca promover a saúde de maneira "mais ampla". A aposta do programa e da cidade é a prevenção.

"Zerado"
Projeto do Departamento de Medicina Preventiva e Social da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com apoio da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), a rede de municípios incentiva a integração entre diferentes setores da administração e da sociedade em ações de promoção da saúde nos municípios.

"Se você não trabalha no sentido de promoção da saúde que amplia, que agrega todos os setores, não consegue alcançar a melhoria da qualidade de vida", afirma a Dra. Ana Maria Sperandio, idealizadora da RMPS.

Em Maringá, o primeiro passo foi reunir as secretarias municipais e a comunidade. "Houve uma articulação com diferentes setores (da administração municipal) e com a sociedade e identificamos os principais problemas", diz a gerente de promoção e prevenção de saúde do município, Ana Rosa Oliveira Poletto Palácios.

A partir desse levantamento, surgiram vários projetos simples para ajudar na área de saúde, como as hortas, promoção de saúde nas escolas, campanhas para melhorar o trânsito.

Outro exemplo dessa gama de ações é o programa das Academias da Terceira Idade (ATI). Inspirada em uma iniciativa semelhante na China, a primeira ATI em Maringá foi inaugurada em abril de 2006. Hoje há 29 desses espaços ao ar livre, geralmente localizados ao lado de postos de saúde, em que idosos praticam exercícios em aparelhos especialmente projetados.

"Minha saúde melhorou 200%", diz o aposentado José Roberto dos Santos, 66 anos, que já sofreu dois derrames e hoje afirma freqüentar a academia diariamente. "Mudei meus hábitos. Parei de fumar, parei de beber", diz Santos. "Sarei. Fiquei zerado."
Problemas
Com 330 mil habitantes, Maringá tem hospitais modelos e já apresentava bons indicadores de saúde mesmo antes do programa de prevenção.

No Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM), da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, divulgado em agosto deste ano com dados até 2005, Maringá aparece em primeiro lugar entre os municípios do Paraná e em 36º no ranking nacional, com 0,8725 (em uma escala de 0 a 1).

Mas existem dados mais recentes que mostram que a cidade continua melhorando. O índice de óbitos infantis por mil nascidos vivos, por exemplo, era de 12,6 em 1998 e passou para 8,9 em 2003. Neste ano, segundo a Secretaria da Saúde, foram registradas até agora 15 mortes, equivalentes a 5,3.

Apesar dos alguns bons indicadores, o setor de saúde ainda enfrenta problemas no município e é um dos principais temas desta campanha eleitoral.

"Houve retrocesso na área de saúde", afirma o candidato a prefeito Enio Verri, do PT. O candidato de oposição afirma que houve redução da área atendida pelo Programa Saúde da Família e que há falta de médicos.

O secretário da Saúde de Maringá, Antonio Carlos Nardi, reconhece que há alguns problemas no setor. "Maringá é sede regional de saúde, que congrega 30 municípios, e também sede macrorregional, com 130 municípios", diz Nardi. "Com isso, a rede tem um déficit de entre 120 e 130 leitos." O secretário também diz que há deficiência de consultas especializadas.

Para Nardi, porém, ações de prevenção e de promoção da saúde podem reduzir o número de doentes e, consequentemente, "o estrangulamento do sistema" de saúde. "O resultado é a longo prazo", afirma o secretário.

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