Filha sucede ao pai, Jean Marie Le Pen, como líder da Frente Nacional e se torna candidata natural do partido para eleição de 2012

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Marine Le Pen abraça seu pai Jean Marie Le Pen durante congresso da Frente Nacional em Tours, oeste da França
Marine Le Pen, 42 anos, assumiu neste domingo a liderança do partido de extrema direita francês Frente Nacional (FN), sucedendo assim a seu pai Jean-Marie, 82 anos, líder histórico dessa família política, e tornando-se a candidata natural para as eleições presidenciais de 2012.

Após 40 anos de reinado, o chefe da FN passou oficialmente a lideração à caçula do clã Le Pen em uma sucessão dinástica organizada no congresso do partido em Tours, centro-oeste da França.

Na tribuna, abraçou sua filha após ele mesmo ter anunciado os resultados: no término de uma eleição interna sem grandes surpresas e cujos resultados já haviam vazado na noite de sexta-feira, Marine Le Pen ganhou com 67,65% dos votos, enquanto seu oponente Bruno Gollnsich, apoiado pelas correntes mais radicais, obteve 35%.

A taxa de participação foi de 76,45% (de um total de 22.403 inscritos) na primeira eleição para presidente do FN desde a criação do partido, em 1972. Jean-Marie Le Pen, por sua vez, foi eleito por aclamação  "presidente de honra" do movimento que ele ajudou a criar.

Com a liderança, Marine Le Pen tornou-se a candidata natural do FN para as eleições presidenciais de 2012, em que ela espera repetir o desempenho de seu pai em 2002, quando ele conseguiu chegar ao segundo turno com Jacques Chirac e à frente do candidato socialista Lionel Jospin.

Com o sueco Jimmie Aekesson, o húngaro Gabor Vona e o neozelandês Geert Wilders, Marine Le Pen personifica assim o novo rosto da extrema direita europeia.

A sucessão na FN ocorre em um contexto de renovação eleitoral para o partido: com uma derrota esmagadora nas legislativas de 2007 (4,2%), a legenda com muito esforço obteve melhores resultados nas eleições europeias de 2009 e, em 2010, nas regionais (11,4%). As pesquisas de intenção de voto atualmente lhe atribuem até 18% (pesquisa CSA, publicada na sexta-feira) para o primeiro turno da presidencial.

Ex-advogada, a alta e enérgica loura que surgiu na cena pública em 2002, vem tendo destaque no cenário político dos últimos meses, batendo recordes de audiência na televisão com seu talento para a oratória, que lembra muito o de seu pai. Dentre suas linhas estratégicas, Marine Le Pen quer normalizar a imagem de seu partido para aumentar seu eleitorado, ganhar mais peso e "conquistar o poder".

Deputada europeia, ela toma para si as receitas que fizeram dos Le Pen um sucesso: "preferência nacional", reservando uma série de vantagens sociais aos franceses; rejeição à imigração; retorno da pena de morte; e a denúncia da "casta política" ou dos "eurocratas" de Bruxelas.

Mesmo sendo uma "Le Pen", ela quer também moderar a imagem do partido e pôr fim aos deslizes antissemitas ou negacionistas de seu pai, que havia qualificado em 1987 as câmaras de gás como "pequeno detalhe da história da Segunda Guerra Mundial".

Mesmo querendo parecer uma "mulher moderna" e laica, Marine Le Pen é alvo de uma investigação judiciária por "incitação ao ódio racial" por ter recentemente comparado os muçulmanos orando nas ruas de alguns bairros à ocupação alemã na França durante a Segunda Guerra Mundial.

Vereadora de Hénin-Beaumont, zona industrial devastada no norte da França, duas vezes divorciada e mãe de três filhos, ela tem uma linguagem mais social que seu pai e questiona os "dogmas" da "globalização" e do "livre comércio".

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