Marido de sueca morta em desastre nega que família temesse acidentes

O brasileiro Fernando Bastos Schnabl, cuja mulher, Christine Badre Schnabl, e o filho, Philipe, morreram no acidente do voo 447 da Air France, negou que a família estivesse viajando separadamente por medo de desastres aéreos. A versão havia sido divulgada pelo jornal sueco Expressen, em sua edição de terça-feira.

BBC Brasil |

Veja no infográfico a rota do airbus Voo 447 da Air France

Segundo Schnabl, a família optou por viajar em voos diferentes a fim de se beneficiar dos programas de milhagens que mantinha tanto com a TAM como com a Air France.

"Nunca tivemos nenhum receio de viajar", afirmou o brasileiro à BBC Brasil, por telefone, da casa dos sogros em Ängelholm, no sul da Suécia.

Schnabl, que viajou com a filha Celine, de três anos, no voo da TAM que partiu do Rio após a aeronave da Air France, disse que sua mulher e filha quase foram salvas quando a Polícia Federal tentou impedir o embarque das duas.

O brasileiro contou que, ao passar pelo controle de imigração, Christine foi informada que não poderia viajar com o filho Philipe sem o pai do menino.

Ela telefonou então para o marido, que se encontrava em casa, no que seria a última conversa entre o casal.

"Christine me ligou do aeroporto dizendo que havia algum tipo de erro no sistema da Polícia Federal, indicando que Philipe não poderia viajar sem o pai", contou.

"Houve um momento de hesitação, sobre se seria possível embarcar ou não. Mas foi um mal-entendido, um erro. Em seguida o engano foi identificado, e pediram desculpas."

Christine e o filho foram, então, liberados para o embarque. Fernando e a filha caçula embarcariam mais tarde no voo da TAM.

Notícia

Schnabl foi informado sobre o desaparecimento do avião da Air France momentos depois da aterrissagem de seu voo no aeroporto Charles de Gaulle de Paris, quando o passageiro que viajava a seu lado ligou o celular, ainda dentro do avião, para verificar o noticiário online.

"Assim que aterrissamos, o passageiro do lado, um francês que foi muito simpático durante o voo, me informou que um voo da Air France estava desaparecido. Perguntei qual era o voo, e ele me disse, em inglês, que era um voo que havia partido depois do nosso. Fiquei aliviado, porque o voo de Christine havia partido antes do meu. Mas em seguida, um amigo do francês que ouvia a conversa o corrigiu, dizendo "avant, avant" (antes, em francês), ou seja, que era o voo da Air France que havia decolado antes do nosso. Nesse momento, o francês parou de falar comigo."

Momentos depois, o nome de Schnabl foi chamado pelo sistema de alto-falante do avião. Seu sogro, Gaby Badre, havia informado à Air France que ele se encontrava a bordo, e o brasileiro foi conduzido diretamente pela tripulação para o lounge do aeroporto Charles de Gaulle onde já se encontravam os demais familiares e amigos de vítimas do voo 447 da Air France.

"Estavam lá o presidente francês, Nicolas Sarkozy, além do ministro francês dos Transportes e do presidente da Air France. Na realidade, o presidente Sarkozy foi o principal porta-voz, dando inclusive, certo ou errado, algumas explicações técnicas."

"Sarkozy falou como um de nós, e não como um presidente. Foi muito simpático, e cheguei a ficar comovido, porque no Brasil existe tanta falta de respeito e consideração", acrescentou.

No lounge do aeroporto estava também o sogro de Fernando, que ao saber da notícia do desaparecimento do voo 447 pegou imediatamente um avião de Londres, onde se encontrava, para se reunir com Fernando e a neta em Paris.

Casamento

Fernando Schnabl, a esposa e os filhos permaneceriam uma semana em Paris, a fim de comparecer ao casamento de um primo de Christine, antes de seguirem para a Suécia.

Diante da tragédia, o brasileiro, a filha e o sogro viajaram no fim da noite da terca-feira para Copenhague, de onde seguiram de carro para a casa de verão da família em Ängelhom, no sul da Suécia. Christine era filha única.

O irmão e a irmã de Fernando, Eduardo e Renata, chegaram nesta quarta-feira do Brasil para permanecerem ao seu lado em Ängelhom. Schnabl, designer e proprietário de uma empresa de merchandising no Rio de Janeiro, ainda não tem planos de voltar ao Brasil.

"Preciso resolver diversas coisas, mas minha prioridade agora é a minha filha. Ela tem apenas três anos de idade, mas tenho certeza de que já sabe. Ela parou de perguntar pelo irmão e pela minha esposa."
A recordação de Christine que pretende manter viva em sua memória, diz ele, é um acordo feito pelo casal.

"Fizemos um acordo de criar nossas criancas juntos, e este acordo ainda está de pé. Vou conduzir minha vida sempre pensando no que Christine gostaria para nossa filha, tentando ao máximo dar uma educacão multicultural Brasil-Suécia a ela", afirmou.

"Tenho o apoio dos meus sogros, que são pessoas maravilhosas, e dos nossos muitos amigos. E vou contar com eles."

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