Marfim leiloado na África arrecada US$ 15,4 milhões para preservar elefantes

O primeiro leilão de marfim em nove anos na África Austral arrecadou 15,4 milhões de dólares (12 milhões de euros), que serão destinados à preservação dos elefantes, informou nesta sexta-feira a Convenção sobre Comércio Internacional de Espécies de Fauna e Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (Cites), organização filiada à ONU.

AFP |

A vendas de 102 toneladas de mafim, procedentes de depósitos governamentais da Namíbia, Botsuana, Zimbábue e África do Sul, foi efetuada por um preço médio de 157 dólares por quilo, indicou a Cites em um comunicado.

O marfim leiloado, retirado de elefantes mortos por causas naturais ou sob controle oficial para evitar a superpopulação nas reservas ambientais, começou a ser vendido no dia 28 de outubro na Namíbia.

O sceretário-geral da Convenção, Willem Wijnstekers, destacou que o leilão não significa que o comércio de marfim foi reaberto, e disse que "as vendas que acabamos de fazer foram excepcionais".

O maior estoque leiloado foi na África do Sul, seguido pelos de Botsuana, Namíbia e Zimbábue. Os leilões foram reservados exclusivamente para compradores chineses e japoneses.

Defensores do meio ambiente criticaram a iniciativa da Cites, por interpretar que "estimulará os caçadores a incrementar seus estoques ilegais".

A Convenção, no entanto, afirmou que, segundo dados coletados desde as primeiras vendas experimentais, em 1999 (após uma proibição de dez anos), as vendas legais de marfim não implicaram em um aumento da caça aos elefantes.

O preço médio da venda nos leilões foi muito inferior aos valores supostamente negociados no mercado negro, onde o quilo de marfim seria vendido entre 750 e 850 dólares, segundo a Cites.

John Sellar, diretor da Cites encarregado do combate às fraudes, apontou que a venda controlada deve dissuadir aqueles que pensam em recorrer ao mercado negro.

"Se você é um comprador envolvido no comércio ilegal de marfim, e na semana que vem paga 400, 500, 600, 700 e até 800 dólares por um quilo de marfim, vão rir de você", disse.

O dinheiro arrecadado com os leilões será destinado à preservação dos elefantes, segundo a Cites.

A última venda, realizada em 1999, arrecadou cinco milhões de dólares, segundo a Convenção, que proíbe o comércio internacional de marfim desde 1989.

Namíbia, Botsuana, ZImbábue e África do Sul não poderão leiloar novos lotes de marfim pelos próximos nove anos, segundo as regras da Cites. Ao todo, esses quatro países reúnem uma população de 312.000 elefantes.

jg/ap

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