Marcha por soldado sequestrado em Gaza reúne 10 mil em Israel

Pais de Gilad Shalit, sequestrado em 2006, marcharão 200 km em 12 dias para pressionar premiê a trocar prisioneiros com Hamas

iG São Paulo |

AP
Noam e Aviva Schalit, pais do soldado israelense sequestrado Gilad Shalit, marcham perto de sua casa em Mitzpe Hila, norte de Israel
Milhares de israelenses se juntaram neste domingo à passeata iniciada pelos pais do soldado Gilad Shalit, refém na Faixa de Gaza há quatro anos, para exigir do primeiro-ministro Benyamin Netanyahu que aceite uma troca de prisioneiros com o movimento radical islâmico Hamas.

Cerca de 10 mil pessoas, segundo a polícia, participam da caminhada pelo norte da Galileia. O protesto é liderado por Noam e Aviva Shalit, pais do militar, que neste domingo percorreram alguns lugares relacionados à sua infância.

"Hoje saímos por uma longa viagem para retornar com Gilad", disse a mãe do militar ao partir rumo a Jerusalém, a cerca de 200 quilômetros de distância, junto ao marido, Noam, do povoado de Mitzpe Hilla, no norte da Galileia.

Dezenas de policiais zelam pelo bom desenvolvimento da marcha, que vai durar 12 dias e tem o objetivo de conseguir o apoio em massa do público para uma concentração em 8 de julho em frente à residência oficial de Netanyahu. Ao longo dos 12 dias de caminhada, que acontece quatro anos depois do sequestro do soldado por membros do Hamas, haverá diversas cerimônias.

Quando for concluída a marcha, a família Shalit se instalará numa barraca de campanha perto da residência oficial do primeiro-ministro em Jerusalém. Eles prometem ficar no local até que ocorra a libertação do soldado.

Netanyahu se comprometeu a receber os Shalit em sua residência quando eles chegarem a Jerusalém. "O governo dá prosseguimento permanente aos esforços para conseguir a liberação de Gilad Shalit", declarou neste domingo o premiê, que pediu apoio à comunidade internacional.

Shalit, agora com 23 anos, foi capturado quando tinha 19 anos, em 25 de junho de 2006, em um ataque do Hamas e de outros grupos armados palestinos a uma base militar israelense, na fronteira com Gaza. Desde então, encontra-se em paradeiro desconhecido, não fez contato com a família e não foi visitado por nenhuma organização de direitos humanos. O Comitê Internacional da Cruz Vermelha condena a situação.

Manifestações de apoio

Manifestações de apoio a Shalit, que também tem nacionalidade francesa, foram celebradas em várias capitais ao longo da semana, incluindo em Roma e Paris. Em Mitzpé Hila, cidade do norte de Israel onde residem os Shalit, milhares de pessoas vieram de todo o país em solidariedade.

Entre faixas e balões amarelos, camisetas e bonés com o retrato do jovem militar, bandeiras de Israel e bandeirolas pedindo sua libertação, a multidão acompanhou Noam em direção ao kibutz Kabri, onde foi realizada a primeira cerimônia da marcha.

Em um comunicado divulgado na sexta-feira, a organização Human Rights Watch (HRW) disse que a detenção prolongada e sem comunicação de Shalit "pode corresponder à tortura". "Autoridades do Hamas estão violando as leis da guerra por ser recusar a permitir que Shalit se corresponda com sua família", destacou a ONG com base em Nova York.

A HRW indicou que, embora Israel tenha impedido prisioneiros da Faixa de Gaza de receber visitas de familiares desde que o Hamas assumiu o poder no território palestino, em 2007, eles recebem a visita periódica da Cruz Vermelha.

Quatro anos atrás, Israel impôs um bloqueio ao enclave costeiro na tentativa de forçar a libertação de Shalit, mas abrandou as sanções na semana passada em meio à pressão internacional provocada pela mortal operação de 31 de maio de um comando da Marinha de Israel contra uma frota humanitária .

Já as negociações para uma troca de prisioneiros intermediada por Egito e Turquia chegaram a um impasse. O Hamas quer que Israel solte centenas de prisioneiros, incluindo altos militantes responsáveis pela morte de muitos israelenses, para libertar Shalit, um preço que o Estado judaico se mostra relutante em pagar.

A maioria dos israelenses é favorável à troca, segundo uma pesquisa publicada na edição de sexta-feira do jornal Yediot Aharonot. Quando questionados se apoiariam "uma troca de prisioneiros na qual centenas de terroristas, incluindo assassinos, fossem libertados em troca de Gilad Shalit", 72%  responderam que sim.

*Com EFE e AFP

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