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Marcha por desaparecidos no Uruguai exige verdade e justiça

Uma nova Marcha do Silêncio realizada nesta terça-feira em Montevidéu, com as palavras de ordem Exigimos verdade e justiça sobre o que ocorreu com os desaparecidos durante a ditadura (1973-1985), representou, também, uma homenagem ao escritor Mario Benedetti.

AFP |

Como em todos os anos desde 1996, o dia 20 de maio, data dos assassinatos em Buenos Aires, em 1976, dos legisladores uruguaios Zelmar Michelini e Héctor Gutiérrez Ruiz, e dos militantes Rosario Barredo e William Whitelaw, a organização de Familiares de Detidos Desaparecidos do Uruguai reedita a marcha, realizada em silêncio e sem proclamas.

A manifestação, realizada nos últimos 13 anos, é destinada ao conhecimento da verdade sobre o que aconteceu com mais de 200 pessoas desaparecidas durante a ditadura.

Além da marcha, os Familiares de Detidos Desaparecidos do Uruguai homenagearam o escritor uruguaio Mario Benedetti, de 87 anos, que escreveu um poema intitulado "Desaparecidos".

"Homenageamos Benedetti, um renomado intelectual e um amigo da organização", afirmou Javier Miranda.

"De alguma maneira, o dia 20 de maio já é uma data institucionalizada no país", ressaltou Miranda, que teve os restos de seu pai encontrados em um prédio militar em 2006.

O dia 20 de maio "é a reafirmação do 'Nunca mais'", disse Miranda.

Os militares e policiais que cometeram violações dos direitos humanos durante a ditadura uruguaia haviam sido beneficiados, em 1989, com a Lei de Caducidade Punitiva do Estado. Essa lei de anistia foi confirmada por um plebiscito, no qual 56% dos participantes optaram pelo perdão aos militares.

A Lei de Caducidade impediu o julgamento dos envolvidos na repressão. No entanto, ela não impede a investigação sobre a morte dos desaparecidos e o paradeiro de seus restos mortais.

Desde a virada do século, os organismos de defesa dos direitos humanos tentaram driblar a Lei de Caducidade, ao processar os militares pelos crimes cometidos fora do país. Esse foi o caso dos oficiais que participaram das ações da Operação Condor e cometeram torturas e assassinatos no Chile e na Argentina. Outra brecha encontrada na Lei de Caducidade foi o processo contra os civis que participaram da ditadura - caso do ex-ditador Juan Bordaberry (1972-1976)-, já que estes não são contemplados pela lei, que engloba apenas militares e policiais.

Bordaberry é acusado, entre outros crimes, de co-autoria do assassinato dos senadores Zelmar Michelini (que era um dos principais líderes da oposição) e Héctor Gutiérrez Ruiz. Ele também teria ordenado a morte de Rosario Barredo e William Whitelaw, do grupo guerrilheiro Tupamaros.

O ex-ditador (1981-1985) Gregorio Alvarez foi preso em dezembro de 2007 por "co-autoria de reiterados crimes de desaparecimento forçado".

Em setembro de 2006 a justiça iniciou os primeiros processos por violações aos direitos humanos, que recaíram sobre oito militares e policiais aposentados.

Ainda que várias organizações sociais tenham organizado uma campanha e tentem fazer um abaixo assinado para conseguir a anulação da lei de Caducidade, essa não é uma das intenções dos Familiares de Detidos Desaparecidos do Uruguai.

"A organização tem uma posição delicada" sobre este assunto, "porque há familiares que apóiam a anulação da lei e outros que não", explicou Miranda, que ressaltou que alguns de seus integrantes participam dessa campanha individualmente.

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