Marcha leva milhares às ruas contra corte de orçamento de Chávez

Caracas, 20 mai (EFE).- Grupos universitários, apoiados por partidos opositores e parte da imprensa, marcharam hoje em Caracas em rejeição ao corte orçamentário decidido pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, que também incide sobre o ensino superior do país.

EFE |

O protesto saiu da Universidade Central da Venezuela (UCV), que abriga cerca de 60 mil estudantes, para o Ministério da Educação Superior, e reuniu milhares de pessoas, entre universitários, professores e trabalhadores.

O percurso do leste ao centro da cidade foi vigiado por 1.200 policiais, sem incidentes.

Antes, no entanto, foram ouvidos tiros, depois que um grupo de pessoas encapuzadas queimou na madrugada alguns veículos nas imediações e no interior da UCV, em incidentes que não deixaram feridos e detidos.

Universitários partidários de Chávez atribuíram os incidentes aos opositores que, por sua vez, culparam os grupos governistas.

Isso, porém, não repercutiu na marcha, também apoiada por estudantes e professores de outras universidades de Caracas e do interior do país, assim como por alguns ativistas de partidos políticos e dirigentes da imprensa identificados com a oposição ao Governo.

A reitora da UCV, Cecilia García, que denunciou que 20 encapuzados identificados com o Governo dispararam ontem à noite tiros e lançaram bombas de gás lacrimogêneo em frente a seu escritório, como agradeceu depois que o protesto tenha sido recebido pelo ministro da Educação Superior, Luis Acuña.

O ministro explicou a García e à delegação de estudantes que recebeu em seu escritório que 6% da redução do orçamento de cada universidade não afeta "as provisões estudantis", que se referem, entre outros assuntos, a bolsas de estudos, refeitórios e transporte.

Acuña denunciou que "alguns reitores" contrariaram essas instruções e optaram por reduções nessas áreas para gerar entre os estudantes uma "adversidade contra o Governo".

De acordo com ele, a redução do orçamento das universidades foi aplicada a toda a administração pública na mesma proporção, como foi anunciado por Chávez em 21 de março.

O presidente corrigiu nesse dia o orçamento fiscal e o rebaixou de US$ 77,9 para 72,7 bilhões, devido a uma queda de US$ 60 para 40 na previsão do preço de venda do barril de petróleo de exportação, principal atividade da economia nacional.

Segundo Chávez, a redução de perto de US$ 5 bilhões não afetará nenhum plano social governamental e será alcançada com "uma estrita execução da despesa" pública.

"Todo mundo tem direito a protestar, não é preciso queimar nada", reforçou o ministro antes e depois da marcha, que terminou nos arredores de seu Ministério, enquanto em seu interior convidou um grupo de manifestantes a conversar.

Acuña reiterou que o corte no orçamento constituía uma "desculpa" para convocar o "protesto político" contra o Governo e que os organizadores usaram de "manipulações".

Apesar da participação de alguns ativistas de partidos políticos contrários a Chávez, seus principais dirigentes acataram as chamadas de líderes universitários que deram boas-vindas à participação na atividade, mas sem permitir que tomasse o controle do protesto.

"À convocação se juntaram organizações da mais variada natureza, mas ratificamos que é uma convocação universitária (...), dissemos com significativa clareza que esperamos que não a transformem em uma mobilização de partidos", tinha advertido em dias anteriores o representante dos professores da UCV Víctor Márquez.

A marcha anterior opositora em Caracas aconteceu em 1º de maio e terminou de forma abrupta, quando a Polícia impediu com gases e água que ativistas de partidos políticos opositores mudassem o percurso, o que tinha sido acatado pelos sindicalistas opositores. EFE ar/rr

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG