No dia em que se comemora o Dia Nacional da Juventude na Venezuela, dezenas de milhares de jovens tomaram as ruas de Caracas, nesta sexta-feira, em uma manifestação que se converteu em um ato de apoio ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, e ao governo. A passeata percorreu cerca de 10 km no centro da capital até chegar ao Palácio de Miraflores, sede presidencial.

A marcha foi uma resposta dos simpatizantes do governo às manifestações do movimento estudantil opositor, que há duas semanas passou a ocupar a agenda política do país com protestos de rua anti-Chávez.

"Aqui está a juventude revolucionária, a maioria dos jovens que decidimos construir uma pátria socialista, com justiça, onde cabemos todos", disse à BBC Brasil Tibisay Manrique, estudante da Universidade Bolivariana da Venezuela.

Em discurso, do lado de fora do Palácio de Miraflores, ponto final da passeata, Chávez voltou a responsabilizar ao "império ianque" por incentivar os protestos do movimento estudantil opositor conhecido como "mãos brancas".

Eleições
Em meio a um estado de emergência enérgetica decretado na terça-feira, crise que tem debilitado a imagem de seu governo, Chávez voltou a recordar a seus simpatizantes que a "batalha" deste ano será ganhar pelo menos dois terços das cadeiras do Parlamento, nas eleições legislativas de setembro. O Congresso hoje é controlado por absoluta maioria chavista.

"Não podemos permitir que a burguesia se apodere da Assembleia Nacional", disse. "Imaginem, tentariam me derrubar e isso não vamos permitir. Vamos pulverizá-los nas eleições".

A oposição, que por enquanto ainda não definiu se adotará uma estratégia unitária para enfrentar o chavismo nas urnas, aposta na debilitação do governo para voltar à disputa institucional no Parlamento.

De acordo com uma pesquisa realizada em janeiro pelo Instituto Venezuelano de Análise de Dados (IVAD), apesar de continuar alta, a popularidade do presidente, há 11 anos no poder, vem caindo nos últimos meses.

A pesquisa sugere que 58% dos venezuelanos aprovam a Chávez, índice 13 pontos percentuais inferior ao registrado em 2008, quando uma pesquisa do mesmo instituto apontava 71% de aprovação ao mandatário. Este índice já havia caído para 60% em dezembro de 2009.

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