Maquinistas britânicos se opõem à libertação de Ronald Biggs

Londres, 24 abr (EFE).- O Sindicato dos Ferroviários do Reino Unido se opõe à libertação do assaltante Ronnald Biggs, conhecido como ladrão do século por seu assalto ao trem pagador em Glasgow, na Escócia, em 1963, e que viveu cerca de 30 anos no Brasil.

EFE |

Biggs, que completará 80 anos no dia 8 de agosto, pediu para receber liberdade condicional em julho, quando terá cumprido um terço dos 30 anos de prisão aos quais foi condenado.

O pedido está sendo analisado pela Comissão de Liberdade Condicional, que decidirá se recomenda, ou não, a libertação de Biggs, cabendo ao ministro da Justiça Jack Straw a última.

O presidente do Sindicato dos Ferroviários, Aslef, Keith Norman, disse hoje que esta concessão seria "ridícula", ainda mais quando os empregados das ferrovias estão a ponto de iniciar uma campanha contra a violência no local de trabalho.

Norman ressaltou que Biggs não é, como frequentemente se tenta apresentá-lo, "um Robin Hood romântico", mas sim "um criminoso, envolvido em um assalto violento que feriu gravemente Jack Mills (o maquinista do trem) quando ele estava fazendo seu trabalho".

"Jack foi golpeado com um machado e, algemado com seu auxiliar, David Whitby, e empurrado para o compartimento do motor por estes marginais", lembrou o líder sindical, acrescentando que Mills, então com 58 anos, ficou traumatizado e "nunca se recuperou totalmente do assalto", não voltando a trabalhar e morrendo em 1970.

Biggs está na prisão de Norwich, no sudeste da Inglaterra, desde 2001, quando decidiu retornar voluntariamente do Brasil, de onde não podia ser deportado por ter um filho brasileiro, Mike, ex-integrante do grupo infantil Turma do Balão Mágico, nos anos 1980, e hoje com 34 anos.

Em declarações à imprensa britânica, Mike, que também viajou para a Inglaterra, para cuidar do caso de Ronald Biggs, disse confiar em que seu pai seja "um homem livre antes de completar 80 anos".

Biggs foi condenado por assaltar, junto com mais 15 pessoas, o trem pagador da Coroa Britânica, coincidentemente no dia de seu aniversário de 34 anos, em 8 de agosto de 1963, levando 2,6 milhões de libras (R$ 8,38 milhões) -na época, a maior soma roubada de uma só vez.

Preso em janeiro do ano seguinte, foi condenado a 30 anos de cadeia, mas fugiu 15 meses depois da prisão de Wandsworth e foi para Paris, onde fez uma cirurgia plástica, e, com um passaporte falso, seguiu para a Austrália.

Após passar por vários países, ele se estabeleceu no Brasil, onde teve Mike com a dançarina brasileira Raimunda de Castro, e não pôde mais ser extraditado, pois a lei brasileira não permite a deportação de um homem, mesmo fugitivo, que tenha um filho nascido no país.

Biggs chegou a ser sequestrado por mercenários britânicos, que o levaram para Barbados, em 1981, a fim de vender sua história ao melhor licitante, mas eles foram descobertos e o ladrão voltou ao Brasil, se tornado uma atração turística alternativa para ingleses que visitavam o Rio de Janeiro e pagavam para conhecê-lo. EFE jm/jp

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